Tamanha maldade?

Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? Gênesis 39:9.

É sempre crítico, na vida de um jovem, o período em que ele se separa das influências do lar e seus sábios conselhos, e entra em novos cenários, de experiências decisivas. Mas se ele não se coloca de vontade própria nessas situações de perigo, evitando as restrições paternas; se, sem que o prefira, é colocado em posições perigosas, e então confia de Deus sua força — nutrindo no coração o amor de Deus — será então, pelo poder de Deus, que o colocou nessa posição difícil, guardado de ceder à tentação. Deus estava com José em seu novo lar. José estava no caminho do dever, sofrendo injustiça mas não praticando injustiça. Ele fruiu, pois, o amor e a proteção de Deus, porque introduzia seus princípios religiosos em tudo que empreendia.

A fé e integridade de José deveriam, porém, ser experimentadas por terríveis provas. A esposa de seu senhor esforçou-se por seduzir o jovem a transgredir a lei de Deus. Até ali ele permanecera incontaminado da corrupção que enchia aquela terra gentílica; mas esta tentação tão súbita, forte e sedutora, como poderia ser enfrentada? José bem sabia qual seria a conseqüência da resistência. De um lado estavam o encobrimento, os favores e as recompensas; do outro a desgraça, a prisão, a morte talvez. Toda sua vida futura dependia da decisão do momento. Triunfariam os princípios? Seria José ainda fiel a Deus? Com inexprimível ansiedade os anjos olhavam para aquela cena.

A resposta de José revela o poder do princípio religioso. Ele não trairia a confiança de seu senhor na Terra, e, quaisquer que fossem as conseqüências, seria fiel ao seu Senhor no Céu. Sob o olhar examinador de Deus e dos santos anjos, muitos tomam liberdades de que não se achariam culpados na presença de seus semelhantes; porém, o primeiro pensamento de José foi Deus.

“Como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?” disse ele. Gênesis 39:9.

Se acalentássemos uma impressão habitual de que Deus vê e ouve tudo que fazemos e dizemos, e conserva um registro fiel de nossas palavras e ações, e de que devemos deparar tudo isto, teríamos receio de pecar.

Ellen G. White, Cuidado de Deus, pág. 188.

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