Mandamento “Omitido”

Uma leitura superficial no diálogo entre Jesus e o jovem rico registrado nos Evangelhos1 conduz a errônea conclusão de que o quarto mandamento da Lei de Deus (Êxodo 20:8-11) extinguiu-se. O fato de Jesus não ter citado-o para o jovem não indica que este preceito tenha sido anulado, pois neste diálogo são mencionados apenas cinco dos Dez Mandamentos:

- Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus:

- Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. E ele lhe perguntou:

- Quais? Respondeu Jesus:

Não matarásnão adulterarásnão furtarásnão dirás falso testemunhohonra a teu pai e a tua mãe; amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Os seguintes mandamentos não foram mencionados: “Não terás outros deuses diante de Mim.”, “não farás para ti imagem de escultura…”, “não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão…”, “lembra-te do dia de sábado, para o santificar…” e “não cobiçarás…” (Êxodo 20:3-17).

Deveríamos considerar que estes cinco mandamentos perderam a validade porque Jesus não os citou para o jovem? Certamente que todo aquele que professa seguir o exemplo de Cristo e Seus ensinos repudiará a idéia de ter “deuses”, “fazer imagens e adorá-las”, “blasfemar o nome do SENHOR” e “cobiçar”. Então, por que o mesmo procedimento não se aplica ao “lembra-te do dia de sábado, para o santificar”? Por que o mandamento que inicia com um impreterível “lembra-te” é rejeitado?

Ao longo de Seu ministério, Cristo jamais ensinou que devíamos anular qualquer mandamento do Decálogo. Pelo contrário, em Suas palavras e atitudes eles foram diariamente cumpridos e enaltecidos (Mateus 5:17-19; Lucas 16:17; João 14:15-21). Quando um dos escribas questionou: “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?”, Jesus disse:

“Amarás o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22:34-40)

Os fariseus já tinham essa resposta. A verdadeira intenção deles ao questionar Jesus sobre a Lei era tentar obter alguma declaração contrária aos ensinos bíblicos. Jesus respondeu baseado emDeuteronômio 6:5 e Levítico 19:18 que dizem:

“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” e “… amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Os fariseus conheciam esses versos e estavam cientes de que a essência do Decálogo era o amor para com Deus e ao próximo (Marcos 12:28-34). Eles sabiam que o amor ao SENHOR está sintetizado nos quatro primeiros mandamentos e, o amor ao próximo se resume na obediência aos seis últimos. Paulo repassou esse ensino em seu ministério: “Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Romanos 13:8-10). O apóstolo João declarou ainda que este “mandamento” (amar ao próximo) não é novo: “E agora, senhora, peço-te, não como se escrevesse mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros” (II João 1:5).

Verifica-se ainda que em Mateus 19:19, Cristo ao declarar ao jovem o que deveria ser feito para herdar avida eterna, Ele menciona apenas o resumo dos seis últimos mandamentos: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, e, não cita: “Amarás o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. Essa “omissão” pressupõe que não devemos amar à Deus? Deve-se negligenciar os quatro primeiros mandamentos que são a base, a síntese desse amor para com o SENHOR?

“O jovem rico pensara que amava a Deus até que Jesus lhe revelou seu ídolo e demonstrou-lhe que estava fazendo de suas posses um deus. Ele viera a Cristo para perguntar: ‘O que me falta?’ A resposta foi: ‘Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos Céus; depois, vem e segue-Me.’ (Lucas 18:22).

Cristo queria que o jovem compreendesse que nada mais exigia dele senão que seguisse o exemplo que Ele mesmo, o SENHOR do Céu, deixara. Abandonara Suas riquezas na glória, e Se tornara pobre, para que, pela Sua pobreza, o homem enriquecesse; e por amor dessas riquezas, pede ao homem que abandone as riquezas terrenas, a honra e o prazer. Ele sabe que enquanto as afeições estiverem voltadas para o mundo, serão desviados de Deus; portanto, disse ao jovem: ‘Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu; e vem e segue-Me’ (Mateus 19:21).

Como recebeu ele as palavras de Cristo? Regozijou-se por poder alcançar o tesouro celeste? Oh, não! ‘Retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades’ (Mateus 19:22). Para ele as riquezas significavam honra e poder; e o grande vulto do seu tesouro faz com que tal venda pareça quase impossível. Esse homem amante do mundo desejava o Céu, mas queria reter sua riqueza, e renunciou a vida imortal pelo amor ao dinheiro e ao poder. Oh, que infeliz troca! No entanto, muitos dos que professam estar guardando todos os mandamentos de Deus estão fazendo a mesma coisa.

Representa o jovem príncipe uma grande classe de pessoas que seriam excelentes cristãos se para elas não houvesse uma cruz a erguer, um fardo humilhante a carregar, nenhuma vantagem terrena a renunciar, e nenhum sacrifício de propriedade ou sentimentos a fazer.”2


Vídeo relacionado: O Quarto Mandamento

1. Mateus 19:16-22; Marcos 10:17-22; Lucas 18:18-23.

2. Ellen G. White, Review and Herald, (March, 21 of 1878).

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