Apostasia no Jordão

As mulheres midianitas logo levaram Israel à fornicação e idolatria.

Com alegre coração e fé renovada em Deus, os exércitos vitoriosos de Israel haviam voltado de Basã. Já haviam ganho posse de valioso território, e estavam confiantes na conquista imediata de Canaã. Apenas o rio Jordão se achava entre eles e a Terra Prometida. Do outro lado do rio, precisamente, havia uma fértil planície, coberta de verdor, regada de torrentes oriundas de copiosas fontes, e sombreada de palmeiras luxuriantes. Na extremidade ocidental da planície erguiam-se as torres e palácios de Jericó, tão abrigada em seus bosques de palmeiras que era chamada “a cidade das palmeiras”. Deuteronômio 34:3.

Do lado oriental do Jordão, entre o rio e o elevado planalto que estiveram a atravessar, havia também uma planície, com vários quilômetros de largura, e que se estendia a alguma distância ao longo do rio. Este vale abrigado tinha o clima dos trópicos; ali florescia o sitim, ou acácia, dando à planície o nome de “vale de Sitim”. Números 25:1. Foi ali que os israelitas se acamparam, e nos bosques de acácia ao lado do rio encontraram um agradável retiro.

Mas, por entre aquele atrativo ambiente encontraram um mal mais cruel do que poderosos exércitos de homens armados, e animais ferozes do deserto. Aquele território, tão rico em vantagens naturais, tinha sido contaminado por seus habitantes. No culto público de Baal, a principal divindade, levavam-se constantemente a efeito as cenas mais degradantes e iníquas. De todos os lados havia lugares que eram notados pela idolatria e licenciosidade, oferecendo seus próprios nomes a sugestão da vileza e corrupção do povo.

Tal ambiente exercia uma influência corruptora sobre os israelitas. Suas mentes se tornaram familiares com os vis pensamentos constantemente sugeridos; sua vida de comodidade e inação produzia os seus efeitos desmoralizadores; e quase inconscientemente estavam a afastar-se de Deus e chegando a uma condição em que seriam fáceis presas da tentação.

Durante o tempo de seu acampamento ao lado do Jordão, Moisés esteve fazendo preparativos para a ocupação de Canaã. Neste trabalho o grande chefe esteve inteiramente empenhado; mas para o povo este tempo de trégua e expectação foi mais probante, e antes que se passassem muitas semanas sua história foi mareada pelos mais medonhos desvios da virtude e integridade.

A princípio pouca comunicação houve entre os israelitas e seus vizinhos gentios; mas, depois de algum tempo, mulheres midianitas começaram a entrar furtivamente no acampamento. Sua aparência não provocara alarme, e tão silenciosamente eram executados os seus planos que a atenção de Moisés não foi chamada para o caso. Era o objetivo dessas mulheres, em sua associação com os hebreus, seduzi-los a transgredir a lei de Deus, atrair sua atenção para os ritos e costumes pagãos, e levá-los à idolatria. Tais intuitos eram cuidadosamente ocultos sob o aspecto de amizade, de modo que não houve suspeita dos mesmos, até para os guardas do povo.

Por sugestão de Balaão, foi pelo rei de Moabe designada uma grande festa em honra a seus deuses, e arranjou-se secretamente que Balaão induzisse os israelitas a assistirem à mesma. Ele era considerado por estes como um profeta de Deus, e por isso teve pouca dificuldade em realizar seu propósito. Grande número de pessoas uniram-se a ele, testemunhando as festas. Aventuraram-se a ir ao terreno proibido, e foram enredados na cilada de Satanás. Iludidos pela música e dança, e seduzidos pela beleza das vestais gentílicas, romperam sua fidelidade para com Jeová. Unindo-se-lhes nos folguedos e festins, a condescendência com o vinho anuviou-lhes os sentidos e derribou as barreiras do domínio próprio. A paixão teve pleno domínio; e, havendo contaminado a consciência pela depravação, foram persuadidos a curvar-se aos ídolos. Ofereceram sacrifícios sobre os altares gentílicos, e participaram dos mais degradantes ritos.

Não demorou muito tempo para que o veneno se espalhasse, como uma infecção mortal, pelo acampamento de Israel. Aqueles que teriam conquistado seus inimigos na batalha, foram vencidos pelos ardis das mulheres gentílicas. O povo parecia ter endoidecido. Os príncipes e principais homens estavam entre os primeiros a transgredir, e eram tantos os culpados dentre o povo, que a apostasia se tornou nacional. Juntou-se pois “Israel a Baal-Peor”. Números 25:3. Quando Moisés se apercebeu do mal, as tramas de seus inimigos tinham sido tão bem-sucedidas que não somente se achavam os israelitas a participar do culto licencioso do Monte Peor, mas os ritos pagãos estavam vindo a ser observados no acampamento de Israel. O idoso chefe encheu-se de indignação, e acendeu-se a ira de Deus.

As suas práticas iníquas fizeram para Israel aquilo que todos os encantamentos de Balaão não poderiam fazer — separaram-nos de Deus. Por meio de juízos que se não fizeram esperar, o povo foi despertado para a enormidade de seu pecado. Uma pestilência terrível irrompeu no arraial, da qual dezenas de milhares de pronto foram presa. Deus ordenou que os líderes desta apostasia fossem mortos pelos magistrados. Esta ordem foi prontamente obedecida. Os transgressores foram mortos; então seus corpos foram suspensos à vista de todo o Israel, para que a congregação, vendo os dirigentes tão severamente tratados, pudesse ter uma intuição profunda da aversão de Deus ao seu pecado, e do terror de Sua ira contra eles.

Todos entendiam que o castigo era justo; e o povo foi apressadamente ao tabernáculo, e com lágrimas e profunda humilhação confessou seu pecado. Enquanto assim estavam a chorar diante de Deus, à porta do tabernáculo, ao mesmo tempo em que a praga ainda estava a fazer a sua obra de morte, e os magistrados cumpriam sua terrível missão, Zinri, um dos nobres de Israel, veio ousadamente ao acampamento, em companhia de uma meretriz midianita, princesa de importante casa de Midiã, a quem ele levara para a sua tenda. Nunca o vício foi mais ousado ou pertinaz. Inflamado pelo vinho, Zinri publicava seu pecado “como Sodoma”; gloriava-se em sua vergonha. Os sacerdotes e chefes haviam-se prostrado com pesar e humilhação, chorando “entre o alpendre e o altar” (Joel 2:17), e rogando ao Senhor que poupasse Seu povo, e não desse Sua herança ao opróbrio, enquanto esse príncipe de Israel fazia ostentação de seu pecado à vista da congregação, como que a desafiar a vingança de Deus, e zombar dos juízes da nação. Finéias, filho de Eleazar, sumo sacerdote, levantou-se dentre a congregação, e tomando uma lança “foi após do varão israelita até à tenda” (Números 25:8), e matou a ambos. Assim a praga cessou, enquanto o sacerdote que executara o juízo divino foi honrado perante todo o Israel, e o sacerdócio foi confirmado a ele e sua casa para sempre.

Finéias “desviou a Minha ira de sobre os filhos de Israel”, foi a mensagem divina; “portanto dize: Eis que lhe dou o Meu concerto de paz, e ele, e a sua semente depois dele, terá o concerto do sacerdócio perpétuo; porquanto teve zelo pelo seu Deus, e fez propiciação pelos filhos de Israel”. Números 25:11-13.

Os juízos que visitaram Israel, por causa de seu pecado, em Sitim, destruíram os sobreviventes daquela vasta multidão, que, quase quarenta anos antes, incorrera nesta sentença: “Certamente morrerão no deserto.” A contagem do povo feita por determinação divina, durante seu acampamento nas planícies do Jordão, mostrou que “dos que foram contados por Moisés e Arão, o sacerdote, quando contaram aos filhos de Israel no deserto de Sinai, […] nenhum deles ficou senão Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num”. Números 26:64, 65.

Deus enviara juízos sobre Israel por haverem cedido às seduções dos midianitas; mas os tentadores não deveriam escapar da ira da justiça divina. Os amalequitas, que haviam atacado Israel em Refidim, caindo sobre aqueles que estavam desfalecidos e cansados na retaguarda das hostes, só muito tempo depois é que foram punidos; mas os midianitas, que os seduziram ao pecado, tiveram de sentir prontamente os juízos de Deus, como sendo os inimigos mais perigosos. “Vinga os filhos de Israel dos midianitas”, foi a ordem de Deus a Moisés; “depois recolhido serás aos teus povos”. Números 31:2. Esta ordem foi imediatamente obedecida. Mil homens foram escolhidos de cada tribo, e enviados sob a chefia de Finéias. “E pelejaram contra os midianitas, como o Senhor ordenara a Moisés. […] Mataram mais, além dos que já foram mortos, os reis dos midianitas; […] cinco reis dos midianitas; também a Balaão filho de Beor mataram à espada”. Números 31:7, 8. As mulheres também, que foram feitas prisioneiras, pelo exército atacante, foram mortas por ordem de Moisés, como os mais culpados e perigosos dos adversários de Israel.

Tal foi o fim daqueles que imaginaram malefício contra o povo de Deus. Diz o salmista: “As gentes precipitaram-se na cova que abriram; na rede que ocultaram ficou preso o seu pé”. Salmos 9:15. “Pois o Senhor não rejeitará o Seu povo, nem desamparará a Sua herança. Mas o juízo voltará a ser justiça.” Quando os homens “acorrem em tropel contra a vida do justo”, o Senhor “fará recair sobre eles a sua própria iniqüidade; e os destruirá na sua própria malícia”. Salmos 94:14, 15, 21, 23.

Quando Balaão foi chamado para amaldiçoar os hebreus, não pôde com todos os seus encantamentos trazer mal sobre eles; pois o Senhor “não viu iniqüidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó”. Mas, quando em virtude de cederem à tentação transgrediram a lei de Deus, Sua defesa se afastou deles. Quando o povo de Deus é fiel aos Seus mandamentos, “contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel”. Números 23:21, 23. Daí exercer Satanás todo o seu poder e seus ardis para os seduzir ao pecado. Se aqueles que professam ser depositários da lei de Deus se tornam transgressores de seus preceitos, separam-se de Deus, e serão incapazes de subsistirem perante seus inimigos.

Os israelitas, que não puderam ser vencidos pelas armas ou pelos encantamentos de Midiã, foram presa de suas meretrizes. Tal é o poder que a mulher, alistada ao serviço de Satanás, tem exercido para prender e destruir as almas. “A muitos feridos derribou, e são muitíssimos os que por ela foram mortos”. Provérbios 7:26. Foi assim que os filhos de Sete foram desviados de sua integridade, e a semente santa se tornou corrupta. Assim foi José tentado. Assim traiu Sansão a sua força, a defesa de Israel, nas mãos dos filisteus. Nisto Davi tropeçou. E Salomão, o mais sábio dos reis, que três vezes fora chamado o amado de seu Deus, tornou-se escravo da paixão, e sacrificou sua integridade ao mesmo poder fascinante.

“Ora tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia”. 1 Coríntios 10:11, 12. Satanás bem conhece o material com que tem a lidar no coração humano. Ele sabe — pois tem estudado com diabólica intensidade durante milhares de anos — quais os pontos que mais facilmente podem ser assaltados no caráter de cada um; e durante gerações sucessivas tem ele operado a fim de subverter os homens mais fortes, os príncipes de Israel, pelas mesmas tentações que tiveram tanto êxito em Baal-Peor. Todos os períodos da História se acham repletos de caracteres que naufragaram de encontro aos recifes da condescendência sensual. Aproximando-nos do final do tempo, ao achar-se o povo de Deus nas fronteiras da Canaã celestial, Satanás redobrará, como fez antigamente, os seus esforços para os impedir de entrar na boa terra. Arma as suas ciladas a toda a alma. Não é simplesmente o ignorante ou sem letras que necessita de ser guardado; ele preparará suas tentações para os que se encontram nas mais elevadas posições, no mais santo ofício; se ele os puder levar a poluir a alma, poderá por meio deles destruir a muitos. E ele agora emprega os mesmos fatores que empregou há três mil anos atrás. Por meio de amizades mundanas, pelos encantos da beleza, pela procura de prazeres, folguedos, festins ou bebidas, tenta ele à violação do sétimo mandamento.

Satanás seduziu Israel à depravação antes de os levar à idolatria. Aqueles que desonrarem a imagem de Deus e macularem Seu templo em suas próprias pessoas, não terão escrúpulos para praticarem qualquer desonra a Deus que satisfaça o desejo de seus depravados corações. A condescendência sensual enfraquece o espírito e avilta a alma. As faculdades morais e intelectuais ficam embotadas e paralisadas pela satisfação das inclinações animais; e é impossível ao escravo da paixão compenetrar-se da obrigação sagrada imposta pela lei de Deus, apreciar a obra expiatória, ou dar o devido valor à alma. Bondade, pureza e verdade, reverência para com Deus e amor pelas coisas sagradas — e tudo isto são afeições santas e nobres desejos que ligam os homens ao mundo celestial — são consumidos nos fogos da lascívia. A alma se torna um deserto enegrecido e desolado, habitação de espíritos maus, e “guarida de toda a ave hedionda e abominável”. Seres formados à imagem de Deus são arrastados ao nível dos irracionais.

Foi associando-se com os idólatras e unindo-se às suas festas que os hebreus foram levados a transgredir a lei de Deus, e trazer Seus juízos sobre a nação. Assim, agora, é levando os seguidores de Cristo a associar-se com os ímpios e unir-se às suas diversões que Satanás é mais bem-sucedido ao induzi-los ao pecado. “Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo”. 2 Coríntios 6:17. Deus requer hoje de Seu povo uma distinção tão grande do mundo, nos costumes, hábitos e princípios, como exigia de Israel antigamente. Se fielmente seguirem os ensinos de Sua Palavra, existirá esta distinção; não poderá ser de outra maneira. As advertências feitas aos hebreus contra o identificarem-se com os gentios, não eram mais diretas ou explícitas do que as que vedam aos cristãos adaptar-se ao espírito e costumes dos ímpios. Cristo nos fala: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. 1 João 2:15. “A amizade do mundo é inimizade contra Deus”; “portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tiago 4:4. Os seguidores de Cristo devem separar-se dos pecadores, procurando sua companhia apenas quando há oportunidade de fazer-lhes bem. Nunca seríamos demasiado decididos em evitar a companhia daqueles que exercem influência para desviar-nos de Deus. Ao mesmo tempo em que oramos: “Não nos deixes cair em tentação” (Mateus 6:13), devemos excluir a tentação tanto quanto possível.

Foi quando os israelitas se achavam em uma condição de comodidade e segurança exterior que foram levados ao pecado. Deixaram de conservar a Deus sempre diante de si, negligenciaram a oração, e acariciaram um espírito de confiança em si próprios. A comodidade e condescendência consigo mesmos, deixaram desguarnecida a cidadela da alma, dando entrada a pensamentos aviltantes. Foram os traidores dentro dos muros que subverteram as fortalezas do princípio e traíram Israel ao poder de Satanás. É assim que Satanás ainda procura conseguir a ruína da alma. Uma longa operação preparatória desconhecida ao mundo, tem lugar no coração, antes que o cristão cometa francamente o pecado. A alma não desce de pronto da pureza e santidade à depravação, corrupção e crime. Leva tempo para que se degradem aqueles que foram formados à imagem de Deus, ao estado brutal e satânico. Pelo contemplar nos transformamos. Alimentando pensamentos impuros, o homem pode de tal maneira conduzir a mente que o pecado que uma vez lhe repugnava tornar-se-lhe-á agradável.

Satanás está empregando todos os meios para tornar populares o crime e o vício aviltante. Não podemos andar pelas ruas de nossas cidades sem encontrar notícias inflamantes de crimes, apresentadas em algum romance, ou a serem representados em algum teatro. A mente é educada de maneira a familiarizar-se com o pecado. A conduta seguida pelos que são baixos e vis é posta perante o povo nos jornais do dia, e tudo que pode provocar a paixão é trazido perante eles em histórias excitantes. Ouvem e lêem tanto acerca de crimes aviltantes que a consciência, que já fora delicada, e que teria recuado com horror de tais cenas, se torna endurecida, e ocupam-se com tais coisas com ávido interesse.

Muitos dos divertimentos populares do mundo hoje, mesmo entre aqueles que pretendem ser cristãos, propendem para os mesmos fins que os dos gentios, outrora. Poucos há na verdade entre eles, que Satanás não torne responsáveis pela destruição de almas. Por meio do teatro ele tem operado durante séculos para despertar a paixão e glorificar o vício. A ópera com sua fascinadora ostentação e música sedutora, o baile de máscaras, a dança, o jogo, Satanás emprega para derribar as barreiras do princípio e abrir a porta à satisfação sensual. Em todo ajuntamento onde é alimentado o orgulho e satisfeito o apetite, onde a pessoa é levada a esquecer-se de Deus e perder de vista os interesses eternos, está Satanás atando suas correntes.

“Guarda o teu coração”, é o conselho do sábio, “porque dele procedem as saídas da vida”. Provérbios 4:23. Conforme o homem “imaginou na sua alma, assim é”. Provérbios 23:7. O coração deve ser renovado pela graça divina, ou será em vão procurar pureza de vida. Aquele que tenta edificar um caráter nobre, virtuoso, independente da graça de Cristo, está edificando sua casa sobre areia movediça. Nas cruéis tempestades da tentação certamente será ela derribada. A oração de Davi deve ser a petição de toda alma: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto”. Salmos 51:10. E, tendo-nos tornado participantes do dom celestial, devemos prosseguir até à perfeição, sendo “mediante a fé” “guardados na virtude de Deus”. 1 Pedro 1:5.

Temos todavia uma obra a fazer a fim de resistirmos à tentação. Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros. A mente não deve ser deixada a divagar ao acaso em todo o assunto que o adversário das almas possa sugerir. “Cingindo os lombos do vosso entendimento”, diz o apóstolo Pedro, “sede sóbrios, […] não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo Aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver”. 1 Pedro 1:13-15. Diz Paulo: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Filipenses 4:8. Isto exigirá oração fervorosa e incessante vigiar. Devemos ser auxiliados pela influência permanente do Espírito Santo, que atrairá a mente para cima, e habituá-la-á a ocupar-se com coisas puras e santas. E devemos fazer estudo diligente da Palavra de Deus. “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a Tua Palavra. Escondi a Tua Palavra no meu coração”, diz o salmista, “para eu não pecar contra Ti”. Salmos 119:9, 11.

O pecado de Israel em Bete-Peor acarretou os juízos de Deus sobre a nação, e, embora os mesmos pecados hoje não sejam punidos tão prontamente, de um modo tão certo terão eles a sua paga. “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá”. 1 Coríntios 3:17. A natureza determinou penas terríveis a estes crimes, penas estas que, mais cedo ou mais tarde, serão infligidas a todo o transgressor. São estes pecados mais do que outros quaisquer os que têm causado a terrível degeneração de nossa espécie, e o cortejo de moléstias e miséria que faz a desgraça do mundo. Os homens podem ter êxito ao esconder de seus semelhantes as suas transgressões, mas nem por isso deixarão de ceifar infalivelmente os resultados, em sofrimentos, moléstias, imbecilidade ou morte. E além desta vida encontra-se o tribunal do Juízo, com sentenças de eterna punição. “Os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gálatas 5:21), mas com Satanás e os anjos maus terão parte naquele “lago de fogo”, que é a “segunda morte”. Apocalipse 20:14.

“Os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite; mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios. Afasta dela o teu caminho e não te aproximes da porta da sua casa; para que não dês a outro a tua honra, nem os teus anos a cruéis. Para que não se fartem os estranhos do teu poder, e todos os teus trabalhos entrem na casa do estrangeiro; e gemas no teu fim, quando se consumirem a tua carne e o teu corpo”. Provérbios 5:3, 4, 8-11. “Sua casa se inclina para a morte.” “Todos os que se dirigem a ela não voltarão”. Provérbios 2:18, 19. “Seus convidados estão nas profundezas do inferno”. Provérbios 9:18.

Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Capítulo 41.

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