Bíblia versus Patrística

Deixar as Escrituras Sagradas para escorar-se nos chamados “Pais da Igreja” (patrística) é, sem dúvida, instruir-se nas cisternas rotas(a) da confusão, da incerteza e da incoerência. Embora alguns desses homens tenham sido piedosos, a verdade é que não foram guiados pelo Espírito Santo (II Timóteo 3:16-17), e não são infalíveis como os seus seguidores afirmam, pelo contrário, os escritos patrísticos estão repletos de erros insanáveis; ensinam as maiores heresias. Várias dessas obras literárias não mencionam seus autores, apresentam citações desconhecidas e foram interpoladas ao longo dos séculos.

Apesar desses fatos, é comum os dominguistas as utilizarem como provas de suas crenças. Elas são citadas como sendo indícios de “costumes implantados” na igreja primitiva, tais como: batismo de afusão, purgatório, jejuns cerimoniais, orações pelos mortos e observância dominical. Nenhuma dessas doutrinárias são confirmadas pela Bíblia, restando aos adeptos desses ensinos, valerem-se unicamente dos “Pais da Igreja” como meio de sustentá-las.

Focando a defesa da observância dominical, geralmente são mencionados os escritos de Barnabé,Clemente de AlexandriaDidaquêInácioJustinoTertuliano e Bardasanes. Assim, analisemos os registros históricos e os escritos desses “Pais da Igreja” para conhecer quem foram, em que acreditavam e o que ensinaram sobre a guarda do domingo.


BARNABÉ

Este personagem é fictício, não há registro histórico sobre ele. “Se existe algum axioma no estudo da Epístola de Barnabé, é que, ao contrário da maioria das testemunhas antigas, o seu autor não eraBarnabé, o companheiro de São Paulo. Na verdade já em 1840, Hefele, contra a sua convicção anterior, escreveu: ‘Eu não acredito que possamos ver o Barnabé apostólico neste homem(b).'”1

A “Epístola de Barnabé” não apresenta o nome de quem a escreveu, a data e o local de sua origem. O autor desta literatura deixou apenas a informação de que era um professor sem citar o que lecionava. Alguns supõem que ela tenha sido escrita em 130 d.C.2 e que Clemente de Alexandria seja o responsável pela criação desse título. Outros “Pais da Igreja” como Eusébio, Jerônimo e Agostinho negam a autoridade dessa epístola, e lhe atribuem características absolutamente apócrifas. E existem vários motivos para essa classificação, por exemplo, ela ensina que:

“‘Não comerás a hiena’ (…) porque esse animal muda de sexo todos os anos e torna-se ora macho, ora fêmea. EIe [Deus] odiou também ‘a doninha’ (…) De fato, esse mal se concebe pela boca. (…) ‘Comei de todo animal que tem o casco fendido e que rumina’ (…) O que significa o ‘casco fendido’? É que o justo caminha neste mundo e espera o mundo santo.”3

Além dessas bizarras declarações, ela afirma que as orientações alimentares de Levítico capítulo 11 são simbólicas e partiram de decisões de Moisés, não de Deus; e que Davi compartilhou das mesmas idéias. Afirma também que Abraão conhecia o alfabeto grego, séculos antes que tal alfabeto existisse; e, apresenta uma delirante relação entre circuncisão e a cruz.4

O autor desta epístola segue seu caminho ilusório e cria ainda um “oitavo dia semanal” com base na ressurreição de Jesus; “dia” que é referência para os dominguistas quanto a observância dominical. Eles citam com frequência o trecho: “Observamos o oitavo dia com regozijoo dia também em que Jesus se levantou dentre os mortos“, e alegam que a igreja primitiva tinha o domingo como dia de descanso. Argumento desmentido pelo próprio capítulo que contém essa citação:

“O sábado é mencionado no princípio da criação. (…) Portanto, meus filhos, em seis dias, ou seja, em seis mil anos, todas as coisas se findarão. ‘E Ele repousou no sétimo dia.’ Isso significava que quando o Seu Filho vier, (…) então Ele verdadeiramente descansará no sétimo dia. Ademais, Ele declara: ‘Santifica-lo-eis com mãos santas e um puro coração’. Se, portanto, qualquer um puder agora santificar o dia que Deus santificou, exceto que seja puro de coração em todas as coisas, somos enganados. (…) Então seremos capazes de santificá-lo, tendo primeiro santificado a nós próprios. (…) Portanto, também observamos o oitavo dia com regozijo, o dia também em que Jesus levantou-Se dentre os mortos.”5

O contexto de onde os observadores do domingo retiram o trecho mencionado, não declara que os cristãos da época observavam o domingo por orientação apostólica, mas, reconhece a santidade do sábado e afirma que aquele que “puder agora santificar o dia que Deus santificou” que seja de “puro coração“. Diz ainda que a exigência da santidade do sábado não permiti que o homem observe este dia como Deus requer, porém, isso será possível quando Cristo retornar! Ou seja, além de contraditório, o autor caracteriza Deus como injusto ao exigir obediência a um mandamento “impossível” de ser seguido, enquanto castiga os seus transgressores. E apresenta este argumento como “motivo” para “observarmos o oitavo dia com regozijo”.

Diante dessas coisas exposta por esta epístola, pergunta-se: É este o “Barnabé” citado orgulhosamente pelos dominguistas como referência doutrinária?


CLEMENTE DE ALEXANDRIA

Muito pouco ou quase nada, se sabe sobre a vida deste patrístico. Filho de pais gregos e possuidor de um conhecimento singular do paganismo, demonstrado em seus escritos, Clemente é apontado como tendo sido praticante de liturgias pagãs. As circunstâncias de sua conversão ao cristianismo são desconhecidas.6 Seus trabalhos literários são uma mistura de filosofia pagã com ensinos do cristianismo. Em “The Stromata“, que abrange oito livros de sua autoria, ele diz: “E, como eu penso, o Salvador também exerce Seu poder, porque Ele trabalha para salvar (…) Se, então, o Senhordesceu ao Hades foi com uma única finalidade, pregar o Evangelho.”7

Ainda em “The Stromata“, ele afirma (assim como o desconhecido “Barnabé”) que as prescrições alimentares de Levítico capítulo 11 são apenas simbolismos e aborda os versos deste capítulo de maneira confusa e incoerente.8 Philip Schaff e Johann Jakob Herzog declaram que Clemente era inapto para discernir entre o bem e o mal. Seus escritos estão repletos de versos que ele atribuiu ser bíblico e, no entanto, inexistem na Bíblia. Quanto a isso Schaff comenta: “Citações de Clemente relativas às Escritura são feitas a partir da versão Septuaginta, frequentemente inexatas, às vezes a partir de um texto diferente do que possuímos, muitas vezes com adaptações verbais, e nãoraramente textos diferentes são misturados.”9 Schaff declara ainda que as obras de Clemente são difíceis de serem traduzidas devido as inúmeras alterações e abundantes anotações feitas por terceiros.

Clemente acreditava que Platão era profeta, que a Septuaginta e a Sibila(c) eram escritos inspirados pelo Espírito Santo10 e, atribuía ao profeta Jeremias a autoria do livro apócrifo Baruque.11 “Entre os Pais da Igreja os apócrifos eram de uso comum desde os primeiros momentos (…) Clemente de Alexandria cita Eclesiástico, muitas vezes com a fórmula ‘Escritura’, ‘Sagrada Escritura’ (…) e não com tanta freqüência, mas com as mesmas fórmulas, Sabedoria de Salomão, Baruque, e Tobias. Abundantes exemplos da mesma prática provém de Hipólito, Cipriano e outros.”12

Os dominguistas afirmam que Clemente se refere a observância dominical na seguinte declaração: “Ele, em cumprimento do preceito, de acordo com o Evangelho, guarda o dia do Senhor, quando abandona uma má disposição, e assume dos gnósticos, glorificando a ressurreição do Senhor em si mesmo.”13 Nesta citação, Clemente não diz que o sábado foi substituído pelo domingo com a ressurreição de Cristo, e que a igreja cristão o tinha como dia de descanso. E mesmo que estivesse insinuando tal afronta ao quarto mandamento da Lei de Deus, de imediato, lhe restou revelar em que parte do Evangelho ensina tal mudança; o preceito que orienta observar o domingo e, quais os versos bíblicos que dizem ser ele o “dia do SENHOR”(d). Fica então esta responsabilidade para os seus seguidores atuais.

Clemente refere-se ao “festival da ressurreição” que era celebrado no “primeiro dia da semana”, porém, não era (na época) dia de guarda, porque, após essa festividade, os participantes retornavam às suas ocupações seculares. Tal “costume” com o transcorrer do tempo determinou a observância oficial do domingo(e), sem, contudo, amparar-se em qualquer parte das Escrituras. Comentando sobre esta festividade, Albert Pittman, declara: “Primitivamente reuniam-se no domingo de manhã porque o domingo não era um dia de feriado, mas sim um dia de trabalho normal como os demais. (…) Cantavam um hino a Cristo, ligavam-se por um voto de companheirismo, partilhavam uma merenda religiosa e, em seguida,retornavam ao seu trabalho, para os labores da semana.”14


DIDAQUÊ

Desta obra apócrifa são atribuídas cinco citações que supostamente indicam a observância dominical na igreja primitiva. No entanto, somente uma delas (e considerada a principal) lhe pertence, e não prova que a guarda do domingo era praticada pela igreja no primeiro século. As demais são referências provenientes das “Constituições Apostólicas“, outra literatura apócrifa alterada e de data incerta quanto a sua elaboração (entre 250-350 d.C.). Esta última faz inclusive diversas recomendações para que o sábado seja observado.15

A Didaquê, possivelmente escrita no Egito ou na Síria, contém manipulações de terceiros que agravam ainda mais seus falsos ensinos; alterações que ocorreram com o objetivo de atender aos interesses da igreja em diferentes épocas, prática comum na literatura patrística.16 Volvemo-nos, entretanto, a avaliar a única citação que pertence a Didaquê e que, ingenuamente, é utilizada como “justificativa” da observância dominical.

Texto alterado: “Mas todo dia do Senhor, reuni-vos, e parti o pão e dai graças após haverdes confessado as vossas transgressões, a fim de que o vosso sacrifício possa ser puro.”

Texto original: “Conforme o Senhor, reúnam-se para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro.”17

No texto original não consta a palavra “dia” que, usualmente no grego é ημερα (hemera). E a preposição “kατὰ” significa: De acordo com, segundo, conforme; e nunca representou “mas todo” como é grosseiramente divulgado no texto alterado. Traduzir a expressão “kατὰ κυριακὴν” (“conforme o Senhor“) como equivalente a “mas todo dia do Senhor“, revela tão somente desconhecimento linguístico linguístico ou fraude; e, irresponsabilidade por parte daqueles que se valem de tais erros por conveniência doutrinária.


INÁCIO

A Bíblia ensina que devemos nos direcionar unicamente a Deus e a Sua vontade, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso único intercessor e exemplo de vida. Padrões humanos e suas tradições são condenáveis.18 Ignorando essas orientações bíblicas, Inácio considerava o bispo romano como se fosse o próprio Deus(f) e condenava àqueles que agiam contra as suas convicções.

Não satisfeito com tais atitudes, ele ainda jubilava com a morte dos ímpios, enquanto Deus declara: “Acaso, tenho Eu prazer na morte do perverso? (…) não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.” (Ezequiel 18:23-32 cf Ezequiel 33:11). Além desse “jubilo inaciano” e veneração ao bispo de roma, ele ensinava que a ausência de jejum no sábado ou no domingo tornava a pessoa assassina de Cristo19 e, defendia a transubstanciação, considerando herege quem admitia apenas o simbolismo da santa ceia.20 Adiante alguns trechos das cartas de Inácio que revelam seus pensamentos e ensinos:

“É manifesto, portanto, que devemos olhar para o bispo como nos dirigindo ao próprio Senhor.”21 “Todos os que são de Deus e Jesus Cristo são também do bispo.”22 “É satisfatório reverenciar tanto Deus como o bispo. Aquele que honra o bispo foi honrado por Deus, aquele que faz alguma coisa semo conhecimento do bispo, na realidade serve ao diabo.”23 “(…) a destruição do ímpio é repentina, eobjeto de júbilo.”24

Aqueles que se baseiam em Inácio costumam lhe atribuir autoria de 15 cartas, sendo comprovada que oito delas são falsas e as demais possuem trechos duvidosos e interpolados. Sobre esta questão a “Enciclopédia Britânica” declara:

“É opinião universal dos críticos que as primeiras oito dessas pretensas cartas de Inácio são espúrias. Trazem em si provas indubitáveis de serem produtos de uma época posterior àquela em que Inácio viveu. (…) Por unanimidade são hoje postas à parte como falsificações. (…) alguns vão a ponto de negar que tenhamos qualquer escrito autêntico de Inácio, enquanto outros, embora admitindo as sete cartas mais curtas como provavelmente sendo dele, ainda duvidam muito de que estas estejam livres de intercalações.”25

“Importa relatar, no entanto, que o erudito católico romano, Denys Petau (Petavius), admitiu que as cartas foram interpoladas, enquanto o protestante Vedelius reconheceu as sete cartas mencionadas por Eusébio.”26

“Policarpo fez uma coleção de cartas de Inácio e a enviou para a igreja de Filipos (…) A coleção aparentemente continha algumas, senão todas, as sete cartas que eram conhecidas por Eusébio e são geralmente consideradas genuínas. (…) No século IV essas cartas foram corrompidas por intensas inserções de um interpolador, e a coleção foi aumentada em seis cartas forjadas sob o nome de Inácio.”27

“Igualmente notável é a circunstância, que esses documentos mais antigos da hierarquia logo se tornaram tão interpoladosreduzidos e mutilados através de fraude religiosa, que hoje é quase impossível descobrir com certeza o genuíno Inácio da História ou o pseudo Inácio da tradição.”28 Envolver-se com a patrística é inevitavelmente compartilhar de seus textos falsificados, e isso ocorre com uma das citações mais populares de Inácio. Ela tornou-se uma espécie de “estandarte” contra o sábado do SENHOR. Analisemos esta citação apócrifa, mutilada e interpolada:

Texto falsificado: “não mais observando o sábado, mas vivendo na observância do dia do Senhor.”
Texto original: “não mais sabatizando, mas conforme a vida do Senhor, vivendo.”29

A fonte original não apresenta a palavra “dia” e, baseado no grego utilizado, deveria conter o termoημερα (hemera – “dia”) ou outro equivalente. Existem manuscritos originais confiáveis que trazem a palavra “vida“, mas, ela foi omitida durante a transcrição deles com a finalidade de se inserir a palavra “dia”.

“meketi sabbahizontes alla kata (???) kyriaken zoontes”
“não mais sabatizando mas conforme (???) do Senhor vivendo”

Os bispos Lightfoot e Lake, co-participantes das alterações deste trecho, e que advogam em favor da observância dominical, reescreveram-no da seguinte maneira: “não vivendo mais para o sábadomas para o dia do Senhor“. A “Epistle to the Magnesians” possui várias interpolações realizadas entre 300-400 d.C.; e o capítulo IX foi alterado para tornar o domingo um dia de culto.30 Os eruditos, estudando esta citação de Inácio, julgam que a interpolação da palavra “dia” destoa por inteiro do contexto, porque não se vive “conforme um dia”, mas sim de acordo com um princípio, uma idéia, um exemplo ou uma orientação na vida. O capítulo original desta citação diz:

“Mas que todos vós guardeis o sábado segundo um modo espiritual, regozijando-vos em meditação sobre a lei, não em relaxamento do corpo, admirando a obra de Deus, e não comendo coisas preparadas no dia anterior, nem usando bebidas mornas, e caminhando dentro de um espaço prescrito, nem encontrando deleite em danças e celebrações que em si não fazem sentido. E após a observância do sábado, que todo amigo de Cristo observe o dia do Senhor como um festival, o dia da ressurreição, a rainha e chefe de todos os dias [da semana].”

O escritor e defensor da observância dominical, William Domville, declara: “Cada um familiarizado com todas essas questões está ciente de que as obras de Inácio foram interpoladas e corrompidas mais do que quaisquer outro dos antigos pais; e também que alguns escritos atribuídos a ele são totalmente falsos.”31


JUSTINO

Justino era quiliasta(g) e, de seus ensinos extrai-se as seguintes ficções: Que os demônios são criaturas provenientes da união sexual entre mulheres e anjos32 e, através de sonhos, eles induzem os homens ao pecado;33 que o estado de possessão e de loucura são ocasionados por almas dos mortos;34 que Deus dispôs o Sol para ser adorado35 e, que o maná era alimento destinado aos anjos, mas, fora concedido também ao homem.36 Alicerçados também nos escritos desse patrístico, os oponentes do quarto mandamento utilizam em defesa da observância dominical a seguinte citação:

“No dia designado ao Sol, faz-se uma reunião de todos os que moram nas cidades e nos distritos rurais e se lêem as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas. (…) No dia do Sol realizamos uma reunião em conjunto, dia no qual Deus, havendo mudado a obscuridade e a matéria, fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos no mesmo dia. Fora crucificado um dia antes ao [dia] de Saturno e no dia que segue ao de Saturno – o dia do Sol – tendo aparecido aos apóstolos e discípulos ensinou-lhes estas coisas que submetemos à vossa consideração.”37

A afirmativa de que “todos” se reuniam “no dia designado ao Sol” não procede, pois, haviam cristãos que não relacionavam esse dia ao culto a Deus, e também, não se envolviam nessas festividades. Mesmo em Roma, onde a influência pagã era mais acentuada em relação a outros territórios, existiam cristãos que não se deixaram envolver pelo paganismo, ao contrário da grande maioria:

“Quase todas as igrejas do mundo celebram os sagrados mistérios no sábado de cada semana; não obstante os cristãos de Alexandria e de Roma, em vista de alguma antiga tradição, recusarem-se a fazê-lo.”38

“O povo de Constantinopla e de outras cidades, congregam-se tanto no sábado como no dia imediato; costume esse que nunca é observado em Roma.”39

Os atuais dominguistas ignoram ainda dois fatores sobre essa declaração de Justino: 1) Ela faz parte de um documento enviado para o imperador romano Antônio Pio (Antoninus Augustus Pius) e seus súditos;40 nela Justino relata o comportamento desse povo de um modo geral quanto as reuniões que ocorriam no “dia do Sol, feriado pagão vigente naquele tempo (século II). Em “Dialogue with Trypho“, ele menciona claramente o mitraísmo, que era a religião predominante no império e tinha como dia de festa o “primeiro dia da semana.41 2) Ao contrário da falsa tradução usada pelos dominguistas, Justino nunca chamou de “domingo” e muito menos de “dia do Senhor”, o “dia do deus Sol”. Ele usou a nomenclatura da “semana astrológica” do paganismo para se referir ao dia em que o “festival da ressurreição” era celebrado, o “dia do Sol” (primeiro dia da semana). No mesmo trecho ele menciona o sábado como “dia de Saturno,” o sétimo dia da “semana astrológica”.

No Império Romano, o deus-Sol Mitra era popularmente designado como o Sol Invictus (Sol invencível). Nos almanaques chineses consta o “dia de Mih” (dia de Mitra) que se traduz por “dia do Senhor.” Em inscrições romanas relacionadas com o mitraísmo ocorrem com certa freqüência expressões como: “Sancto Domino Invicto Mithrae” (Santo Senhor Mitra Invencível); “Domino Soli” (Senhor, o Sol); “Domino Soli Sacrum” (Sagrado ao Senhor, o Sol) e “Domino Soli Sacrum” (ao Senhor, o Sol sagrado). O imperador Aureliano chegou a proclamar oficialmente o Sol como Soli Dominus Imperii Romano (Sol, Senhor do Império Romano), e mandou cunhar a efígie do Sol em moedas. A seguir alguns testemunhos sobre estes fatos:

“É uma conjectura muito provável, que o dia em que os pagãos, em geral, consagravam à adoração e honra de seu deus principal, o sol, era segundo nossos dados, o primeiro da semana (…)”42

“O uso dos nomes dos planetas pelos cristãos atesta a crescente influência das especulações astrológicas introduzidas por conversos do paganismo. (…) As antigas crenças no poder dos astros sobre os destinos humanos existia nas comunidades cristãs; os corpos celestes não considerados divindades, eram demônios capazes de afetar o destino do homem. (…) E o famoso edito de Constantino definitivamente fixa o domingo entre os feriados religiosos do Estado romano. (…) Assim,gradualmente, uma instituição pagã foi enxertada no cristianismo.”43

“A igreja tomou a filosofia pagã e fez dela o escudo da fé contra os pagãos. Ela(h) tomou o dia do Sol dos pagãos e fez dele o domingo cristão.”44

“Sessenta e seis anos depois(i), 387 d.C., em outro decreto romano, o domingo é chamado de “o dia do Senhor. (…) Em 392 d.C., outro decreto romano proibiu nesse dia todas as exibições(j) que pudessem desviar o comparecimento nos mistérios [liturgias] da religião cristã. A legislação dominical do Império Romano nunca retrocedeu.”45

TERTULIANO

De personalidade sarcástica, injuriosa e fanática, Tertuliano era considerado extremamente colérico. Se desligou da igreja ortodoxa e aderiu ao montanismo(l); abandonando-o posteriormente, criou a sua própria seita.46 Dentre os “Pais da Igreja”, Tertuliano foi o que mais ensinou heresias, tais como: Que Cristo desceu ao Hades após a Sua morte;47 que as mulheres foram “objetos” da concupiscência angelical e, este desejo sexual dos anjos, foi o motivo da rebelião deles contra Deus;48 que os feiticeiros, com auxílio de anjos ou demônios são capazes de interferir e controlar a mente dos homens através de sonhos;49 que os animais dobram os “joelhos” e oram;50 que o apóstolo Pedro batizou no rio Tiber, sendo que Pedro nunca esteve em Roma.51

Não obstante as idéias excêntricas deste patrístico, examinemos o que ele escreveu sobre o primeiro dia da semana (domingo – dia do deus Sol):

“Mas, muitos de vocês, igualmente, às vezes sob o pretexto de adorar os corpos celestes, movem seus lábios na direção ao nascer do sol. Da mesma forma, se nós dedicarmos o dia do Sol com alegria, a partir de uma razão muito diferente do culto ao Sol, teremos alguma semelhança com aqueles que cultuam no dia de Saturno (…)”52

“Outros (…) supõem que o sol é o deus dos cristãos, porque é um fato bem conhecido que rezamospara o leste, ou porque fazemos do domingo um dia de festa.”53

“Na questão de ajoelhar, a oração também está sujeita a diversidade de observância, pelo fato de alguns poucos se absterem de ajoelhar no sábado; uma vez que esta dissensão é particulamente um julgamento das igrejas. (…) Somente no dia da ressurreição do Senhor deviam guardar-se não apenas contra o ajoelhar-se, mas contra todos os gestos de serviço de solicitude, adiando mesmo nossasocupações para não darmos qualquer lugar ao maligno.”54

“Oferendas são feitas em homenagem aos nossos falecidos amigos, nos aniversários de suas mortes. (…) o jejum, a adoração no dia do Senhor (…) em todas as ações comuns da vida diária, fazemos na testa o sinal [da cruz]. Se, para estas e outras regras, vós insistis sobre uma positiva determinação da Escritura, nada encontrareis. A tradição vos será apresentada como originadora destas práticas, ocostume as fortaleceu e a fé as pôs em prática.”55

O próprio Tertuliano desmorona as alegações dominguistas sobre a legalidade bíblica da observância dominical. Ele deixa claro que a guarda do domingo é de autoria humana baseada no festival da ressurreição e que existiam cristãos na época que observavam o sábado descrito no Decálogo. E Eusébio endossa os relatos de Tertuliano quando diz: “Todas as coisas que era dever fazer no sábado, estas nós as transferimos para o dia do Senhor, como mais apropriado para isso, este é o primeiro na lista [semanal].”56

Orígenes de Alexandria, patrístico e contemporâneo de Tertuliano, motivado pelas polêmicas questões da observância sabática entre judeus e gentios, exortou que os cristãos evitassem o modo legalista(m) dos judeus de guardar o sábado e se volvessem em seu verdadeiro propósito; citando ainda como referênciaHebreus 4:9:

“Abandonando, pois, a observância judaica do sábado, que espécie de guarda do sábado se espera do cristão?(n) No dia de sábado nenhum ato secular deve ser realizado. Se, pois, vos abstendes de todas as obras seculares e nada façais de mundano, mas estai livres para obras espirituais, vinde à igreja, ouvi a leitura e o comentário, o pensamentos das coisas celestiais, atentando para a vida futura, mantendo diante dos olhos o julgamento vindouro, não considerando coisas presentes e visíveis, mas o invisível e o futuro. Esta é a observância cristã do sábado.”57


BARDESANES

Considerado um dos maiores representantes do gnosticismo sírio, Bardesanes misturou crença cristã com os ensinamentos gnósticos(o). Para ele a origem do mundo e a existência de Lúcifer não tinham sido obras de Deus.59 Suas crenças cosmogônicas eram baseadas no paganismo mesopotâmico. Afirmava que Cristo não possuía corpo real, não padecia de sofrimentos e negava-Lhe a ressurreição.

Com exceção de fragmentos de seus “Hinos à Alma” que foram inseridos no livro apócrifo “Atos de São Tomé“,60 todas as obras de Bardesanes se perderam. Muitos desses “hinos” tinham como objetivo popularizar seus ensinamentos e, a partir deles, semelhanças com o valentinianismo(p) puderam ser estabelecidas.61 Incapazes de avaliar esses fatos, os oponentes do quarto mandamento, além de se apoiarem nesses indivíduo, afirmam (sem citar a fonte direta), que ele declarou: “Num diao primeiro da semana nós nos reunimos em assembléia.”

Independentemente da origem e veracidade desta declaração, ela não apresenta pelas Escrituras Sagradas o “primeiro dia da semana” como dia de descanso semanal; não revela base bíblica para classificá-lo como o “dia do Senhor” e não comprova que a igreja primitiva havia sido orientada por Cristo e Seus discípulos a tê-lo como substituto do sétimo dia do SENHOR. A reunião mencionada nesse trecho esta fundamentada nos mesmos motivos discorridos anteriormente nos demais patrísticos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em sua totalidade, os “Pais da Igreja” confrontam diretamente vários ensinos da Bíblia e são largamente citados como referência teológica por aqueles que desejam fundamentar tradições populares ou crença particular.

“Nenhuma parte do credo protestante está na decisão dos pais [da igreja] e concílios. Ao recorrer unicamente a Bíblia, como a única regra de fé e prática, os cristãos confundiram e derrotaram seus adversários papais, que não podiam provar suas doutrinas, por meio de ‘pais’ e concílios.”62

A patrística é: “Testemunha falível de autoridade humana. (…) tradição que a crítica não pode sequer firmar no terreno digno da História. (…) Tradição confusa e contraditória. (…) Pululam, nos anais primitivos da igreja, escritos espúrios ou apócrifos, que revelam a tendência perigosa para a ficção e para as lendas, que degeneraram largamente nas fraudes pias dos tempos medievais.”63

“Há pouquíssimos deles cujas páginas não estejam repletas de erros: Erros de método, erros de fatos, erros históricos, de gramática, e mesmo de doutrina.”64

“Não é de admirar que todas as serras dos cristãos podem encontrar nos chamados pais algo que favoreça sua própria opinião e sistemas.”65

“E em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. (…) Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.” (Marcos 7:7-9)


Texto baseado em: CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., cap. 34-36, p. 216-233.
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a. Referência a Jeremias 2:13.
b. Referindo-se ao “autor desconhecido” da Epístola de Barnabé.
c. Segunda a lenda e tradição grega, esta obra pertence a Sibylla, pitonisa do Oráculo de Delfos.
g. Sectário do quiliasmo, doutrina que afirma que os predestinados ficariam na Terra durante mil anos após o julgamento final, no gozo de todos os prazeres; milenarismo (Definição: Dicionário Houaiss).
i. Contagem feita a partir do decreto de Constantino de 321 d.C.
j. Espetáculos ao público, como aqueles que eram realizados nos teatros, anfiteatros, arenas e etc.
l. Doutrina defendida por Montano (157-212), líder frígio que, dizendo-se porta-voz do Espírito Santo, exigia de todos o mais severo ascetismo e declarava estar próximo o fim do mundo e o estabelecimento, na Frígia, da nova Jerusalém (Definição: Dicionário Houaiss).
n. Hebreus 4:9, referência citada pelo autor.
o. Movimento religioso que caracteriza-se por conciliar conjectura filosófica com misticismo.
p. Doutrina herege, que pregava um sincretismo das teorias platônicas, judaísmo, dualismo persa e dogmas cristãos (Definição: Dicionário Houaiss).
1. PAGET, J. C. (1994). The Epistle of Barnabasoutlook and background, vol. 64, Tübingen: Morh Siebeck, p. 3.
2. Barnabas, Letter of. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
3Epistle of Barnabas, chap. X.
4Epistle of Barnabas, chap. IX.
5Epistle of Barnabas, chap. XV.
6. Clement of Alexandria, Saint. (1918). The Encyclopedia Americana Corporation, vol. VII, New York: J. B. Lyon Company, p. 87a; Clement of Alexandria. (1911). Enciclopaedia Britannica, vol. VI, p. 488a; Clement of Alexandria, Saint. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
7The Stromata, book VI, chap. VI, § 5.
8The Stromata, book VII, chap. XVIII.
9. SCHAFF, P. (2004). Fathers of the Second Century, Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, p. 265-266; (Título original: “Ante-Nicene Fathers“, impresso em 1885. Philip Schaff, nascido na Suiça, recebeu educação alemã e tornou-se teólogo protestante e celebre historiador da igreja cristã. Após sua formação acadêmica destinou-se a ensinar nos Estados Unidos).
10Exhortation to the Heathen, chap. II, § 26; Exhortation to the Heathen, chap IV, § 6; Exhortation to the Heathen, chap. VI, § 6; Exhortation to the Heathen, chap. VIII, § 1; The Instructor, book III, chap. III, § 1.
11The Instructor, book I, chap. X, § 3 (Ref. 1.278).
12. Apocrypha. (1951).The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. I, Grand Rapids, MI: Baker Book House, p. 478.
13The Stromata, book VII, chap XII, § 20.
14The Watchman Examiner, Journal Baptist, Oct. 25, 1956; (Albert C. Pittman foi pastor da Primeira Igreja Batista de Dayton – Ohio, USA).
15Apostolic Constitutions, book II, sec. VII, chap. LIX; Apostolic Constitutions, book II, sec. VI, chap. XLVII; Apostolic Constitutions, book V, sec. III, chap. XV; Apostolic Constitutions, book VII, sec. II, chap. XXIII; Apostolic Constitutions, book VII, sec. II, chap. XXXVI; Apostolic Constitutions, book VIII, sec. IV, chap. XXXIII.
16. Didache, The. (1910). Enciclopaedia Britannica, Cambridge, England, vol. VIII, p. 201a; Didache. (1952). The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. III, p. 421a; Didache. (2010).Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
17Didache, chap. XIV, § 1.
18. Jeremias 17:5; Marcos 7:7-9; I João 2:1-2; I Pedro 2:21-25.
19Epistle to the Philippians, chap. XIII.
20Epistle to the Smyrnæans, chap. VII, § 1.
21Epistle to the Ephesians, chap. VI, § 1.
22Epistle to the Philadelphians, chap. III, § 1-2.
23Epistle to the Smyrnæans, chap. IX, § 1.
24Epistle to the Ephesians, chap. VII, § 2.
25. Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., p. 219.
26. Ignatius. (1910). Enciclopaedia Britannica, Cambridge, England, vol. XIV, p. 293a.
27. Ignatius of Antioch, Saint. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
28. SCHAFF, P. (1893). History of the Christian Church: Ante-Nicene Christianity A.D. 100-325, vol. II, p. 465.
29Ignatiusad Magnesios, chap. IX, § 1. Too in: Jacobson’s Patres Apostolici, vol. II, Oxford, 1840, p. 322; MIGNE. Patrologia Graeca, vol. 5, col. 669.
30. KITTO, J. (1861). A cyclopaedia of Biblical Literature, 10.ª ed., vol. II, Ivison, Phinney & Co., (art. Lord’s Day), p. 270a; YOST, F.H. (1947). The Early Christian Sabbath, chap. 5, p. 14-15.
31. DOMVILLE, W. (1853). The SabbathAn Examination of Six Texts, 8.ª ed., London, p. 287.
32The Second Apology, chap. V.
33The First Apology, chap. XIV.
34The First Apology, chap. XVIII.
35Dialogue with Trypho, chap. CXXI.
36Dialogue with Trypho, chap. CXXXI.
37The First Apology, chap. LXVII.
38. SOCRATES. Ecclesiastical History, book V, chap. XXII. Too in: Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. II, p. 132; (Obra escrita pelo historiador grego e cristão Sócrates, o Eclesiástico. Esta obra é composta por sete livros e aborda acontecimentos da Igreja de Roma entre 305-439 d.C., abrangendo fatos políticos e eclesiásticos, tanto internos como externos).
39. SOZOMEN. Historia Ecclesiastica, book VII, chap. XIX; (Esta obra foi elaborada pelo Salminius Hermias Sozomenus (Sozomen), e descreve a história da igreja baseada nas obras literárias de Sócrates, o Eclesiástico e de Eusebius, bispo de Cesarea).
40The First Apology, chap. I.
41Dialogue with Trypho“, chap. LXX and LXXVIII.
42. JENNINGS, D. (1837). Jewish Antiquities, London: Printed for Thomas Tegg and Son, book III, chap. III, p. 377.
43. WEBSTER, H. (1916). Rest DaysA Study in Early Law and Morality, New York: The Macmillan Company, p. 220.
44The Catholic World (March, 1894); Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., p. 227.
45The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. XI, p. 147b; (Art.: Sunday, sec. 3).
46. Tertullian. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
47ApologeticA Treatise on the Soul, chap. VII.
48EthicalOn player, chap. XXII.
49ApologeticApology, chap. XXIII.
50EthicalOn Prayer, chap. XXIX.
51EthicalOn Baptism, chap. IV.
52ApologeticApology, chap. XVI.
53ApologeticAd Nationes, book I, chap. XIII.
54EthicalOn player, chap. XXIII.
55ApologeticThe Chapletor De Corona, chap. III-IV.
56. Eusebius’ Commentary on the Psalms (Psalm 92, A Psalm or Song for the Sabbath-day). In: Migne’s Patrologia Graeca, vol. XXIII, col. 1171-1172.
57Homily XXIIINumbers XXVIII, sec. IV. Too in: ORIGEN. (2009). Ancient Christian TextsHomilies on Numbers, Illinois: IVP Academic, p. 142a; (Translated by Thomas P. Scheck, edited by Christopher A. Hall).
58. Bardesanes. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
60. WRIGHT, W. (1871). Apocryphal Acts of the Apostles, vol. I, London, p. 247.
61. Bardesanes. (1951). The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. I, Grand Rapids, MI: Baker Book House, p. 1008.
62. CLARK, A. Clarke’s Bible Commentary, Proverbs 8 (verse 36).
63. PEREIRA, E. C. (1949). Problema Religioso na América Latina, O; 2.ª ed., São Paulo, p. 215, 219 e 227; (Eduardo Carlos Pereira de Magalhães foi ministro evangélico presbiteriano, professor e escritor brasileiro. Tornou-se um renomado líder protestante do século XIX e auxiliou na fundação da Igreja Presbiteriana Independente).
64. FARRAR. (1886). The History in Interpretation, p. 162-165; Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. (1981).Subtilezas do Erro, 2.ª ed., p. 221.
65. MOSHEIM, J. L. Eclesiastical History, book I, part. II, chap. III, sec. X; (Johann Lorenz von Mosheim, alemão e historiador, foi membro da Igreja Luterana. Em sua obra “Institutionum Historiae Ecclesiasticae“, composta de quatro partes, ele abrange fatos históricos do cristianismo deste o nascimento de Cristo até o início do século XVIII).
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Sobre Blog Sétimo Dia

“SOLO CHRISTO”, “SOLA GRATIA”, “SOLA FIDE”, “SOLA SCRIPTURA” (salvação somente em Cristo, somente devido à graça de Deus, somente pela instrumentalidade da fé, somente com base na Escritura)
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Uma resposta para Bíblia versus Patrística

  1. rogerio disse:

    Se todos estes escritos foram adulterados conforme argumentam no artigo, o mesmo se aplica claramente as escrituras. Não irei me referir ao antigo testamento porque ele já tinha os judeus que os conservavam, mais podemos muito bem questionar se realmente aquilo que ali esta foi escrito tudo fielmente por Moisés e outros profetas do antigo testamento. Mas ficando restrito ao novo testamento, qual é a prova histórica de que aqueles 27 livros do novo testamento foram escrito por cada escritor que é atribuído? Não é a tradição que diz quem escreveu cada livro? Em qual livro do novo testamento eu encontro a lista dizendo que aqueles 27 livros são inspirados? Onde se encontra a versão original escrita pelos próprios apóstolos e discípulos? Se não encontramos, qual a versão mais antiga? E do 4º século? Estes escritos não eram reescritos a mão? Afinal a impressa surgiu apenas no 15º século? Se os escritos patristicos foram adulterados, porque o mesmo não se atribui a bíblia? Não foi a igreja através dos monges que reproduziram as bíblias até o século 15? Não é esta igreja a corrompida, prostituta e besta? Adulteram-se simples escritos patristicos porque não adulteram o novo testamento? Já imagino a resposta, porque o Espírito Santo não deixou correto? Seria esta uma argumentação valida a nível histórico ou somente em nível de fé? Se for a nível de fé, digo que também que a nível de fé, acredito que mesmo a igreja tendo lobos em pele de cordeiros, teve muitos homens guiados pelo Espírito Santo, por conta destes homens, sua doutrina não se corrompeu, a bíblia não foi adulterada, os escritos patristicos não foram adulterados. A igreja foi guardião da literatura, da bíblia, da patristica, da arte, entre outros. A porta do inferno nunca prevalecerá sobre ela, mas estará sempre a sondar. . Sou de cotia, sou ex adventista do 7º dia, hoje sou chamado de apostata pelos meus ex irmãos de igreja, estou conciênte de minha fé e muito feliz em Cristo.

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