Cirurgia de Mudança de Sexo: Uma Opinião

Temos recebido em nosso escritório, um número crescente de preocupações relacionadas com as implicações éticas da cirurgia de mudança de sexo. A Igreja não tomou uma posição oficial sobre esta questão específica, mas seu silêncio não significa necessariamente indiferença para com as dimensões éticas e espirituais por ela suscitadas. É nosso objetivo fornecer algumas orientações sobre este tema difícil. Ao fazer isso, também queremos lembrar ao leitor que não se trata simplesmente de um problema ético sobre o qual só podemos discutir. Trata-se de seres humanos que estão experimentando uma dor profunda ao tentarem lidar com sua identidade pessoal de gênero.

Eles precisam de nossas orações, nosso amor, e de todas as orientações que lhes pudermos proporcionar. Como uma comunidade de crentes, devemos estar sempre abertos para sustentar e apoiar aqueles que, em sua jornada existencial e espiritual enfrentam sérios desafios pessoais, mas que no entanto estão à procura de Deus.

A identificação do gênero é normalmente muito fácil, mas por vezes situações de genética, influências cromossômicas, hormonais e intra-uterinas podem resultar em ambigüidade da diferenciação sexual anatômica. As pessoas nascidas com genitália ambígua podem beneficiar-se do realinhamento cirúrgico com sua identidade de gênero correto. Não é meu propósito, e eu não sou qualificado, discutir a correção cirúrgica de anomalias físicas.

Existe um outro grupo de pacientes cuja identidade de gênero anatômico é claramente masculino ou feminino mas que dizem ser do sexo oposto presos dentro de uma anomalia anatômica. Essas pessoas muitas vezes solicitam a intervenção cirúrgica para aproximarem sua genitália para o sexo oposto. A transformação verdadeira e completa não é possível. São tais implicações psicológicas, teológicas e éticas da cirurgia de mudança de sexo, que eu quero explorar.

Como já foi referido, quando se lida com este tema complexo não devemos nos tornar insensíveis com as lutas de tal indivíduo, mas mostrar-lhes o respeito que merecem, como filhos de Deus. Nós também precisamos estar cientes das limitações do nosso conhecimento, bem como dos princípios bíblicos que devem ser aplicados na avaliação desta questão ética. No que diz respeito as limitações do conhecimento, o fenômeno das pessoas que reclamam que seu gênero psicológico e emocional não corresponde com o seu órgão sexual físico, é algo que os psicólogos, cientistas e médicos lutam para compreender. Mas mesmo se admitirmos a possibilidade de influências pré-natais, a questão é se a melhor maneira de trazer cura psicológica a indivíduos que lutam com sua identidade de gênero é fazer uma cirurgia de mudança de sexo.

No momento, não se sabe se os efeitos psicológicos da cirurgia de mudança de sexo são benéficos ou permanentemente prejudiciais. Sabemos que qualquer tipo de alteração em nosso corpo humano tem impacto em nosso bem-estar emocional de uma forma ou de outra. A identidade sexual não é independente do corpo, ou pode ser restrita a anatomia humana, mas vai a fundo na psique humana. Na verdade, nossa identidade é, em grande medida determinada pelo nosso gênero. Fomos feitos para ser uma indivisível entidade sexual. Quando se afirma que alguns indivíduos não têm uma identidade sexual integrada porque a identidade interna difere da identidade sexual fornecida pelos seus órgãos sexuais, estamos diante de um tipo grave de dicotomia psicológica. Esta profunda perturbação psicológica revela um dos efeitos danosos do pecado no ser humano. Ninguém pode confirmar que a anomalia psíquica é superada por meio da cirurgia de mudança de sexo. Este é um caso em que o tratamento pode perturbar psicologicamente o paciente ainda mais.

Não há dados suficientes para definir a extensão dos efeitos danosos que a constante terapia hormonal pode ter sobre o bem estar físico da pessoa. Na verdade, poderia ser argumentado que uma vez que a pessoa se submete a uma cirurgia de mudança de sexo, tem que usar hormônios para o resto de sua vida, mas que uma identidade sexual integrada não é conseguida através da cirurgia. O indivíduo vive e luta com essa condição psicológica o resto da sua vida. Assim, a cirurgia não resolve totalmente o problema. O que agrava esta situação é o fato de que a cirurgia é irreversível, mas psicologicamente as pessoas podem mudar com o crescimento e a maturidade. Visto que o evangelho proclama a liberdade do poder escravizante do pecado e seus efeitos em nossas vidas, sentimos que a igreja não deve defender determinado tipo de radical e irreversível mudança física sexual. Ao mesmo tempo, a igreja deve demonstrar cuidado e respeito para com aqueles que lutam com esta preocupante questão.

Parece que em alguns casos de cirurgia de mudança de sexo, podemos estar lidando com um caso mais sofisticado de comportamento homossexual. Segundo as Escrituras, a satisfação dos impulsos sexuais deve ter lugar dentro de certos parâmetros, que é entre um homem e uma mulher que foram unidos em matrimônio sagrado. Submeter-se à cirurgia de mudança de sexo para satisfazer um desejo homossexual para ter relações sexuais com uma pessoa do mesmo sexo não resolve a perspectiva ética e moral bíblica sobre a homossexualidade.

Finalmente, as Escrituras chamam os seres humanos a controlar suas emoções e paixões colocando-as sob o senhorio de Cristo. O impulso sexual não é simplesmente satisfeito com o fundamento de que, uma vez que são considerados como normais ou naturais, devemos deixar a natureza seguir seu curso. O pecado e o mal têm corrompido a sexualidade humana. Portanto, a auto-disciplina é indispensável para trazê-lo sob sujeição aos valores e princípios bíblicos. O auto-controle sobre questões relacionadas ao sexo aplica-se a todos aqueles que querem viver uma vida santa diante do Senhor. Assim, por exemplo, no caso de indivíduos solteiros, isso significaria a abstenção de relações sexuais antes do casamento, e, no caso de uma pessoa casada abstenção de assuntos sexuais extraconjugais. Se os seres humanos procuram encontrar na cirurgia de mudança de sexo uma forma de contornar os princípios bíblicos de lidar com a sexualidade humana e a maneira adequada para satisfazê-la, eles estariam agindo contra a vontade revelada de Deus. A igreja deve permanecer fiel ao seu compromisso com a vontade do Senhor ressuscitado, como revelado na Escritura, ao apresentar amor e compreensão para com todos.

Texto de autoria de Ángel Manuel Rodríguez, publicado no site Biblical Research Institute. Crédito da Tradução: Blog Sétimo Dia https://setimodia.wordpress.com/

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