A Grande Tribulação

Por Steve Wohlberg

Eram 04:09 da tarde , Horário Padrão Oriental, numa quinta-feira 14 de agosto de 2003. Tudo começou com um ponto de luz. Luzes piscaram, e depois apagaram, e em poucas horas, estava escuro de Nova York a Cleveland e Detroit, até mesmo o Canadá. A capa da Newsweek de 25 de Agosto, rotulou o evento de “Blackout 2003” e chamou-lhe “a maior interrupção de energia em nossa história”. Felizmente, os 50 milhões de norte-americanos afetados, se sairam muito bem. O saque foi mínimo, e ninguém morreu.

Mas há um blecaute espiritual vindo de dentro do cristianismo sobre o que os verdadeiros cristãos irão suportar, ou escapar, imediatamente antes da segunda vinda de Jesus Cristo.

Não é nenhum segredo que multidões de professores de profecia da atualidade acreditam firmemente que antes da “grande tribulação” (Apocalipse 7:14), os verdadeiros crentes serão repentinamente levados da terra ao céu em um misterioso evento chamado “arrebatamento”. Talvez você já tenha visto adesivos em carros com a frase, “Em caso de arrebatamento este veículo não estará tripulado”. Ministros dizem frequentemente em suas congregações, “os tempos futuros serão difíceis, mas não se preocupe, nós iremos embora mais cedo. Somente os descrentes irão enfrentar a grande tribulação, dizem eles, porque Deus não permitirá que a Igreja que Ele ama sofra com isso”.

Isso é verdade? Vamos dar uma olhada.

Tribulação na Bíblia

Para começar, se você olhar para a palavra tribulação em qualquer Concordância (Strong ou Jovem), você pode se surpreender ao descobrir que quase todas as referências são sobre o que os cristãos passarão, não sobre do que escaparão. O próprio Jesus disse aos Seus seguidores: “‘No mundo tereis aflições” (João 16:33). Paulo disse aos seus convertidos que “por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22). Na ilha de Patmos, João escreveu que ele era um …companheiro na aflição…” (Apocalipse 1:9). Falando à Sua igreja em Esmirna, Jesus disse: “Eu conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza…” (Apocalipse 2:9).

Assim, pelo menos nestes textos, a idéia de cristãos fugindo da tribulação não cabe no Novo Testamento.

Alguns poderiam responder que estes versículos estão falando de tribulação em geral, e não da grande tribulação final. No entanto, se a maioria dos textos sobre tribulação no Novo Testamento referem-se claramente ao que os verdadeiros crentes passam, então por que a Palavra de Deus, de repente mudaria de marcha, ensinando-nos que “a tribulação” é algo que os crentes não vão passar? Outros afirmam: “Se a Igreja está destinada a suportar a grande tribulação descrita no meio do livro do Apocalipse, então porque a igreja não é mencionada após Apocalipse 4?”

Vamos dar uma olhada.

A Igreja no Apocalipse

Em Apocalipse 4:1, foi dito a João “sobe aqui” Muitos concluem que isto representa o arrebatamento, e eles acham que a igreja não é mais mencionada. No entanto, foi João quem foi convidado para “subir”, não a igreja. E João realmente não subiu para o céu. Ele foi simplesmente tomado por uma visão enquanto seus pés permaneceram na ilha de Patmos. Em segundo lugar, a igreja é representada como estando na terra depois de Apocalipse 4. Como sabemos isso? Porque Apocalipse diz que a besta “fará guerra aos santos” (Apoc 13:7). Nós lemos também sobre  “…a fé dos santos…” (versículo 10) e, finalmente, durante a crise da marca da besta, lemos também sobre “os santos” que tem “a fé de Jesus” (Apoc 14:12).

Para identificar esses “santos”, nós precisamos apenas ler a primeira carta de Paulo aos Coríntios, onde ele escreveu sobre “a igreja dos santos” (1 Coríntios 14:33). Isto nos diz que onde os santos de Deus estão, é onde a igreja está! Assim, é a igreja de Deus, composta de santos, que passarão através das tribulações dos últimos dias da terra antes da segunda vinda de Jesus Cristo (cf. Apocalipse 14:12, 14-16).

Se você pensa realmente sobre isso, como tão duros os julgamentos, conflitos, batalhas, e até mesmo o sofrimento são, eles podem nos ajudar a desenvolver caráteres fortes se perseverarmos corretamente. Em outras palavras, a tribulação pode ser boa para nós, e não má. Em sua carta aos Romanos, Paulo afirma exatamente isso. Atente para o seguinte aviso: “…mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança” (Romanos 5:3-4).

O Benefício da Tribulação

Cerca de dois anos atrás, a minha parte inferior das costas se tornou tão dolorida que eu mal podia andar. Minha esposa teve até de amarrar meus sapatos! Isso pode parecer pouco, mas para mim, foi uma “aflição”. No entanto, este sofrimento foi realmente bom para mim porque me motivou a começar a me exercitar regularmente, o que acabou curando minhas costas.

Mais grave ainda, há quase três anos, nosso filho Seth de três anos de idade, desenvolveu uma desordem de apreensão. Depois de conversar com especialistas, descobrimos que as apreensões de Seth eram provocadas pela privação do sono. O resultado foi que minha esposa e eu nos tornamos muito conscientes sobre nos certificar se oferecíamos a Seth uma programação regular para que ele fosse para a cama cedo de modo que tivesse uma boa noite de sono. Em retrospecto, tão duro como este julgamento tenha sido para a nossa família, a saúde geral do nosso menino e seu desenvolvimento melhoraram como resultado disso.

O princípio é este: provações e tribulações podem se tornar bênçãos se lidarmos com elas corretamente. John Aughey uma vez escreveu: “Deus leva os homens para águas profundas não para os afogar, mas para purificá-los”. A pedra preciosa não pode ser polida sem fricção, relata um antigo provérbio chinês, “nem o homem aperfeiçoado sem provações”. Outro sábio provérbio afirma, “um diamante bonito nada mais é que um pedaço de carvão que se saiu bem sob pressão”.

O mesmo princípio aplica-se a igreja de Deus que passará através da tribulação final da terra antes da volta de Jesus. Sim, os tempos estão difíceis agora, mas eles vão ficar mais difíceis ainda. O que aparece no horizonte é um “tempo de angústia como nunca houve desde que houve nação” (Daniel 12:1). Qual será o seu catalisador? Ninguém sabe. Talvez seja uma crise econômica, um grande ataque terrorista, uma conquista militar, ou uma seqüência de terríveis desastres naturais. Seja qual for o evento, ou seqüência de eventos, quando bater na Terra a última crise, o povo de Deus vai passar por isso, não fugir dela. E acredite ou não, Deus vai usar essa “grande tribulação” para fortalecer a fé do seu povo, para purificar o coração das últimas manchas da natureza terrena e desenvolver plenamente o caráter do seu povo para refletir a imagem de Seu Filho.

Logo após a predição da Bíblia de que haverá um “tempo de angústia”, estas palavras aparecem, “Siga o seu caminho, Daniel, pois as palavras estão seladas e lacradas até o tempo do fim. Muitos serão purificados, alvejados e refinados, mas os ímpios continuarão ímpios. Nenhum dos ímpios levará isto em consideração, mas os sábios sim” (Daniel 12:9-10).

Em outras palavras, “os sábios entenderão” O propósito de Deus para “purificar”, “alvejar”, e “refinar” o seu povo antes do fim. Assim, o ensino popular de que os cristãos vão escapar da Tribulação é bastante perigoso, pois pode facilmente levar a preguiça espiritual, a falta de preparo pessoal, e até mesmo para uma queda longe de Deus, quando a última crise bater. Jesus compreendeu essa possibilidade, razão pela qual, em sua parábola do semeador, ele advertiu: “Quanto à semente que caiu em terreno pedregoso, esse é o caso daquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria. Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona” (Mateus 13:20-21).

A versão de Lucas desta mesmo parábola prevê que aqueles que “…não têm raiz. . .desistem na hora da provação” (Lucas 8:13). Aqui está o perigo. Os ouvintes do solo pedregoso são surpreendidos pela tribulação, apanhados desprevenidos, e acabam em apostasia total. Usando a linguagem do último livro de Deus, nos tempos finais, tal classe terá “a marca da besta” (Apoc 16:2).

“Se você está certo e eu estou errado”, eu sempre digo para aqueles que acreditam que a igreja de Deus vai escapar da grande tribulação, no arrebatamento, “Então nós dois não temos nada com que se preocupar, porque eu vou ser arrebatado também. Mas se eu estou certo e você está errado, eu espero que você não venha a cair quando inesperadamente for confrontado com a marca da besta”.

A Partir de onde essa Idéia Surgiu

Pessoalmente, eu não estou esperando desaparecer em qualquer grande fuga sete anos antes do fim. Esta doutrina é realmente um pilar essencial de um sistema de interpretação chamado de “dispensacionalismo”, que originou-se com um homem chamado John Nelson Darby na década de 1830. Por 1.800 anos antes da década de 1830, ninguém nos círculos cristãos nunca tinha ouvido falar da idéia de que um arrebatamento secreto iria ocorrer sete anos antes da segunda vinda de Cristo, arrebatando os verdadeiros crentes para fora do mundo antes da tribulação.

Em 01 julho de 2002 um artigo da revista “Time Magazine”, intitulado “The End: How It Got That Way”, os jornalistas David Van Biema e Amanda Bower perspicazmente escreveram “Sua [John Nelson Darby] inovação mais notável foi o momento de um conceito chamado de “Rapto ou Arrebatamento”, elaborado a partir da predição do apóstolo Paulo que os crentes voariam ao encontro de Cristo no céu. A maioria dos teólogos entende isso como parte da ressurreição no fim dos tempos. Darby reposicionou o evento no início do Apocalipse, uma pequena mudança com grandes implicações. Ele poupou os verdadeiros crentes da Tribulação, deixando o horror aos descrentes e doutrinariamente enganados”.

Você entendeu isso? Van Biema e Bower estão corretos. Em 1800, a idéia de arrebatamento foi nada mais do que uma inovação “notável” desenvolvida por John Nelson Darby que, em última instância “poupou os verdadeiros crentes da Tribulação”. Nos últimos 30 anos ou mais, essa inovação foi a corrente principal de novelas e filmes como “Deixados para Tráz” e outros; mas o fato é que ela não é Bíblica.

Em Seu sermão apocalíptico sobre os muitos sinais que precederiam Sua vinda gloriosa, Jesus declarou: “Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24:13). Em palavras de despedida a seus discípulos imediatamente antes de Sua ascensão, Jesus prometeu: “‘Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20).

Como podemos perceber, o povo de Deus estará aqui até o fim.

Deus Estará Conosco

Sim, de acordo com a Bíblia, a igreja de Deus está destinada a passar pela tribulação final da terra, mas se mantivermos a nossa fé em Jesus, Ele vai nos ver passar. Será que vai ser fácil? Não. Devemos nos preparar espiritualmente? Sim. Deveríamos ter medo? Definitivamente não, pois Jesus não só prometeu estar conosco “sempre”, mas a Sua Palavra declara: “Deus não nos deu um espírito de medo, mas de poder, de amor e de equilibrio” (2 Timóteo 1:7).

Lembro-me da história de uma menina que uma vez perguntou ao pai se ela poderia dormir na sua cama porque tinha medo do escuro. “Claro, querida”, o pai respondeu. Assim que subiu para a cama no entanto, mesmo deitada ao lado de seu pai, no escuro, ela ainda estava com medo. “Papai”, a criança murmurou: “o seu rosto está virado para mim?”

A resposta foi imediata: “Sim querida, você não precisa ter medo. Agora, vá dormir”.

Sim, a igreja de Deus passará pelar crise final da Terra. Mas, se nossos corações estão totalmente do lado do Senhor, quando O invocamos em nosso socorro, nosso Pai celestial nos responde de imediato: “Não tenhais medo. Meu rosto está voltado para você. Meu Filho está chegando!”

Artigo de Steve Wohlberg, escrito para a Revista Signs of The Times de Junho/2010. Traduzido pelo blog http://www.setimodia.wordpress.com

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4 respostas para A Grande Tribulação

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  2. Thalita disse:

    Faz tempo que a mensagem foi postada mas somente agora que achei e li.Resolvi escrever mesmo sabendo que talvez vcs nem iriam ler o comentario.Que interessante é esse assunto! Aprendi sobre a doutrina do arrebatemento secreto e por muitos anos acreditei que seria realmente esse o desfecho da história da Igreja.Mesmo lendo na Bíblia sobre o tempo do fim e não encontrando muita ligaçao entre o que lia e ouvia dos pregadores a respeito da Volta de Jesus,eu pensava:Eles sabem mais que eu , por isso entendem diferente de mim.Mas graças a Deus conheci a doutrina adventista e me identifiquei muito com esse povo que ama a Lei de Deus e confia na Graça de Jesus.Hoje sou uma adventista do sétimo Dia e a Volta de Jesus é o motivo da minha esperança e não das minhas dúvidas!

  3. jrmao2010 disse:

    É uma pena ver milhões de cristãos sinceros achando que serão arrebatados secretamente antes de uma tribulação…Mas muitos foram ensinados assim por seus líderes. Mas no momento certo o Espírito Santo tocará nos corações sinceros.

    Em relação a esse artigo, ficou bem claro e espero que ajude as pessoas a se prepararem…

    A bíblia não se contradiz…

    Lembrando que Mateus 24, trata da volta de Cristo e alguns detalhes são interessantes:

    Antes de narrar a volta de Cristo (verso 30-31), a biblia mostra (verso 29) que haverá um período de tribulação…E de acordo com 1º Tess.4:16-17, só na volta de Cristo é que os justos serão arrebatados, ou seja, os justos passarão por esse periodo dificil aqui na Terra….

    e finalmente, ligando o texto de mateus 24:29 com Apocalipse 7:9-14, matamos a charada….João vê os salvos, com vestes brancas, que vieram da grande tribulação

    Esperamos que mais pessoas entendam que Cristo vem em glória, mas antes todo justo vivo passará por uma prova de fogo, chamada tribulação. Mas com Cristo, somos mais que vencedores…

    Um abraço

  4. irmão leitor disse:

    O inimigo conhecia mas não entendia a profecia das duas mil e trezentas tardes e manhãs.
    Notem os leitores que muitas doutrinas e/ou igrejas surgiram em torno ou logo em seguida ao movimento milerita: dispensacionalismo, mormonismo, novo espiritismo, panteísmo, darwinismo, arianismo, pentecostalismo, etc.
    Resgataram a verdade da segunda vinda de Cristo, mas, infelizmente, umas outras coisas inventadas pelo enganador reapareceram também.
    Precisamos entender essas coisas, e responder com clareza. Sempre no interesse redentivo.

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