Uma Resposta Mais Profunda para um Desastre Mais Agudo

O desespero no Haiti vai além do terremoto e tem a ver com a pobreza.

3 Fev 2010, Silver Spring, Maryland, Estados Unidos
Nathan Brown

Na sequência do terremoto do Haiti, muita atenção tem sido dada a vários comentaristas loquazes que têm buscado lançar a responsabilidade pelo desastre e devastação seja sobre Deus ou o diabo. Mas a consequência imediata de tal evento provavelmente não seja a circunstância mais adequada sobre que discutir teologias alternativas do sofrimento. Em vez disso, estes dias e semanas deviam ser a respeito de uma teologia de compaixão e serviço – e sobre como pôr essa teologia em prática.

Assim, ao fazermos nossas doações, nossas comunidades participarem em iniciativas de levantamento de fundos e os obreiros de socorro fazerem o seu melhor para aliviar o sofrimento sobre o terreno no Haiti, vale considerar por que devemos nos preocupar com essa tragédia. Especialmente quando, em alguns ambientes, até isso parece estar aberto para debate.

O destacado blogger da ESPN, Paul Shirley, foi retirado do site após insistir que o povo do Haiti não “merecia” assistência. “Eu sinto náuseas ante a noção de que SE ESPERA que eu faça alguma coisa”, escreveu Shirley. “Gostaria de ajudar, mas somente se sentir que minha assistência é merecida e justificada”.

Lamentavelmente, os seus comentários e muitas das respostas positivas a eles revelam uma triste ignorância sobre a natureza da pobreza. E a escala de destruição, morte e desespero no Haiti diz muito mais respeito a pobreza do que ao terremoto em si. O terremoto que abalou o Haiti em 12 de janeiro trouxe extrema tensão e um ponto de interrogação de partir o coração — bem como atenção maciça da imprensa – a uma situação já desesperadora e trágica.

E é exatamente por isso que o impacto do terremoto tem sido tão severo. A pobreza não é somente a ausência ou pouca disponibilidade de dinheiro, é a falta de recursos, oportunidades e escolhas. A pobreza conduz a um enfoque sobre a mera sobrevivência hoje, antes que sobre construir vidas em formas que possam ser mais resistentes aos inevitáveis desastres da vida. A pobreza é opressão da mente, corpo e espírito. Tende a esmagar a esperança, energia e empenho. A pobreza significa que lares e edifícios públicos são muitas vezes mal construídos, a infra-estrutura é limitada e o valor da vida humana diminuída. Tudo isso já existia antes da catástrofe ser televisionada.

Num lugar como o Haiti, esta pobreza é em grande medida tomada como fato assentado. É um conjunto complicado de questões envolvendo economia, política, história, cultura e sociedades —  tópicos não tão facilmente noticiados no noticiário noturno. Em geral, a mídia — e a maior parte de nossa atenção — somente ressalta os quadros dramáticos e relatos extra-traumáticos. E a maior parte do tempo não falamos ou pensamos sobre as lentas tragédias que são muito maiores do que qualquer terremoto ou outros eventos que ocupam as manchetes.

Sim, precisamos dar e trabalhar para aliviar o sofrimento imediato na sequência do terremoto do Haiti. E, sim, Paul, espera-se que façamos alguma coisa — mas não somente esta semana ou este mês. Devemos fazer algo muito maior para confrontar a pobreza constante do Haiti e em tantas outras partes do mundo. Isso pode reduzir o impacto de desastres futuros bem como aliviar o sofrimento diário de tantas pessoas por todo o mundo.

Isso é parte da condição humana. Como uma escritora em minha tradição confessional declarou, “Todos somos tecidos juntos na rede da humanidade. O mal que sobrevem a qualquer parte da grande fraternidade humana traz perigo a todos” (Ellen White, “A Ciência do Bom Viver”, pág. 345).

E a Bíblia nos oferece uma motivação ainda mais elevada: “O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-o aquele que se compadece do necessitado”. (Provérbios 14:31).

— Nathan Brown é redator de Signs Publishing Company em Warburton, Victoria, Austrália, e autor do livro “7 Reasons Life is Better With God” [7 Razões Por Que a Vida É Melhor Com Deus” (Review & Herald Publishing, 2007).

Fonte: Rede Adventista de Notícias

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