Está Consumado. Por que Jesus teve que morrer?

Por Rolf Pöhler

De acordo com os Evangelhos, o próprio Jesus afirmou várias vezes que iria morrer violentamente e disse ainda que “teria” que ser assim (Mt 16:21; Jo 3:14). “Era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas,… e fosse morto“ (Mc 8:31; cf. Lc 9:22; 17:25; 24:7). Jesus reconheceu esse fato como o cumprimento da antiga profecia bíblica(Lc 18:31; 22:37; 24:25, 44) e considerou toda Sua vida como a realização do plano divino(Lc 2:49; 4:43; 13:33; 19:5, 10; Jo 9:4; 10:16). Ao ser pendurado na cruz, gritou: “Está Consumado!” (Jo 19:30). Tarefa concluída, missão cumprida.

Qual era a missão que Ele havia cumprido?

O que Sua Morte Significa para Nós

O significado da morte de Jesus tem intrigado e preocupado os pensadores cristãos de todas as eras. Inúmeros livros foram escritos sobre o assunto e muitas estantes preenchidas com estudos que procuram explicar o significado profundo da morte de Jesus. Todos tentam interpretar as passagens do Novo Testamento que lançam alguma luz sobre o modo como Jesus falou de Si mesmo e como os discípulos O compreenderam. As declarações bíblicas estão resumidas na Crença Fundamental Adventista número 9.

Você pode tentar descrever os ensinos bíblicos sobre a salvação em Cristo, mas não pode ignorar certos termos como expiação, reconciliação, justiça, pecado e perdão. Eles pertencem ao vocabulário essencial da Bíblia e estão relacionados com a essência da fé cristã.

Baseado no ministério sacrifical da antiga aliança, os primeiros cristãos entenderam a morte de Cristo na cruz como o “recurso propiciatório” de Deus, pelo qual Ele mesmo nos livrou da culpa (Rm 3:25). O sacrifício no Calvário – entregando totalmente Sua vida – foi necessário “para fazer propiciação pelos pecados do povo [Israel]” (Hb 2:17) e não apenas para eles, “mas também pelos pecados de todo o mundo” (1Jo 2:2, NVI).

Mas a verdadeira missão de Jesus era “dar a Sua vida em resgate por muitos”(Mc 10:45; cf. 1Tm 2:5; 1Pe 1:18). Sua perfeita obediência e sacrifício substitutivo libertaram-nos da culpa de nossos pecados; recebemos perdão e nova vida (Ef 1:7; 5:2; 1Pe 2:21; Hb 9–10). O profeta Isaías já havia profetizado que o “Servo de Deus” daria Sua vida para a nossa salvação. “Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados” (Is 53:5; cf. Dn 9:24).

Isso não quer dizer que Jesus estava tentando aplacar a ira de Deus e levá-Lo a ser benevolente para conosco. Afinal, foi o próprio Deus quem enviou Seu Filho ao mundo, “para vivermos por meio dEle” (1Jo 4:9). Não foi necessário ganhar Deus como aliado; Ele já estava do nosso lado. Deus não nos ama porque Jesus morreu por nós; Jesus morreu porque Deus nos ama. O amor de Deus é a razão e a origem, não o resultado ou efeito da expiação.

O que foi que tornou a expiação – a morte de Jesus – necessária? Foi o profundo desagrado de Deus, o Ser santo e perfeito, por toda injustiça? Será o desrespeito por Sua justa e santa lei (Rm 7:12), o reflexo de Seu caráter ─ que deve ser punido? Sentimos a mesma indignação, a “ira santa”, que Deus sente em face da maciça presença do mal e da assustadora injustiça? (Jo 3:36; Rm 1:18; 1Ts 1:10; Ap 6:16).

Vida, Morte, e Ressurreição de Cristo

Na vida de Cristo, de perfeita obediência à vontade de Deus, e em Seu sofrimento, morte e ressurreição, Deus proveu o único meio de expiação do pecado humano, de modo que os que aceitam essa expiação pela fé possam ter vida eterna, e toda a criação compreenda melhor o infinito e santo amor do Criador. Essa expiação perfeita vindica a justiça da lei de Deus e a benignidade de Seu caráter; pois ela não garante o nosso perdão. A morte de Cristo é substituinte e expiatória, reconciliadora e transformadora. A ressurreição de Cristo proclama a vitória final sobre as forças 
do mal, e assegura a vitória final sobre o pecado e a morte para os que aceitam a 
expiação. Proclama a soberania de Jesus Cristo, diante do qual se dobrará todo joelho, no Céu e na Terra. (Jo 3:16; Is 53; 1Pe 2:21, 22; 1Co 15:3, 20-22; 2Co 5:14, 15, 19-21; Rm 1:4; 3:25; 4:24; 8:3, 4; 1Jo 2:2; 4:10; Cl 2:15; Fl 2:6, 11.)

Cristo Triunfante

Ao Jesus morrer na cruz, Seus opositores regozijaram-se. Ser crucificado significava ser amaldiçoado por Deus (Gl 3:13). Portanto, aos olhos do público, Jesus tornara-Se apenas história. Ninguém ousaria, mais uma vez, alegar ser Ele o Messias. Ele mesmo, pouco antes de Sua morte, não admitira que Deus O havia abandonado? Sem dúvida, esse era o momento mais amargo de Sua vida e, provavelmente, a causa da rapidez com que morreu (Mc 15:34, 37, 44).

Na verdade, o que foi motivo para Seus inimigos esfregarem as mãos com satisfação tornou-se um golpe esmagador contra eles. Pouco tempo mais tarde, quando Ele quebrou os grilhões do túmulo e apareceu a Seus discípulos como o Cristo vivo e glorificado, ficou claro que Ele havia saído da cena daqueles terríveis acontecimentos, não como perdedor, mas como vencedor: o Cristo triunfante!

Impossível, como possa parecer, provar Sua ressurreição, o depoimento de muitas testemunhas que O viram ainda é importante (Mt 28; Mc 16; Lc 24; Jo 20–21; 1Co 15:1). O fato de o sepulcro estar vazio dificilmente pode ser explicado, a não ser que algo muito incomum tenha acontecido (Mt 28:17; Mc 16:11; Lc 24:11, 41; Jo 20:24).

A ressurreição de Cristo é o sinal de que Seu sacrifício não foi em vão, mas cumpriu seu propósito (Ro 4:25; 5:10; 1Co 15:17). Por meio dela, Jesus, o criminoso condenado foi “vindicado” pelo próprio Deus (At 2:22). Além disso, ela é a base da esperança cristã na ressurreição dos mortos (1Co 15:12). Se o poder da morte foi quebrado, logo foi quebrado para sempre e para todos. A esse respeito, a ressurreição de Jesus é “um evento que aconteceu no passado, mas não um acontecimento que passou” (B. Klappert). Por isso, ela tem seu legítimo lugar no cerne da mensagem cristã.

João, uma testemunha ocular, interpretou os eventos assim: “Para isso o Filho de Deus Se manifestou: para destruir as obras do diabo” (1Jo 3:8, NVI). Outro escritor do Novo Testamento comentou do seguinte modo: Cristo tornou-Se humano, “para que, por Sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo“ (Hb 2:14). O que os crentes já sabem hoje, será um dia confessado por todos: Cristo o triunfante! (Fl 2:10).

O momento da Sua grande derrota tornou-se Seu maior triunfo. A batalha sobre o pecado, sobre a morte e sobre o mal foi vencida.

A expiação por nossa culpa fez a reconciliação da raça humana com Deus. Deus estava do nosso lado, mas nós nos separamos dEle, virando as costas para nosso Senhor e Salvador. Por rebeldia, O rejeitamos. Em Cristo, Deus superou a separação, restaurou a paz e conquistou nossa confiança. Estamos reconciliados com Deus! Homens e mulheres que ouvem e compreendem esse evangelho não conseguem ficar indiferentes (Ro 5:10; 2Co 5:18).

“Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).

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Rolf Pohler é teólogo conselheiro da União/Associação do Norte da Alemanha, em Hannover, Alemanha. Este artigo é a condensação de um capítulo de um livro escrito por Pöhler sobre as Crenças Fundamentais Adventistas na língua alemã e traduzido para o inglês por Brent Blum.

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“SOLO CHRISTO”, “SOLA GRATIA”, “SOLA FIDE”, “SOLA SCRIPTURA” (salvação somente em Cristo, somente devido à graça de Deus, somente pela instrumentalidade da fé, somente com base na Escritura)
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2 respostas para Está Consumado. Por que Jesus teve que morrer?

  1. SUELEN REGINA disse:

    DEPOIS DESSA LEITURA A FRASE “SE DEUS É POR NÓS QUEM SERÁ CONTRA NÓS?” GANHOU UM NOVO E MARAVILHOSO SIGNIFICADO.

  2. irmão leitor disse:

    Veja o Plano da Redenção como que dividido em três partes:
    1º) Propósito – concebido antes da criação do mundo, do homem e da queda do homem; conhecido só e exclusivamente por Deus; a manifestar-se apenas se necessário.

    2º) Instituição – tornado conhecido e colocado em prática no exato momento que o homem dele necessitou, mesmo não sabendo de sua existência.
    Quando Adão pecou, Cristo levantou-Se e disse: “Caia sobre Mim a culpa do homem. Eu darei minha vida por ele”. Não fosse assim, que seria de nós?

    3º) Estabelecimento – o que estava no propósito foi instituído no Éden, atravessou todo o Velho Testamento, e estabelecido na Cruz do Calvário. Pronto! Confirmado! Consumado! Deus finalmente podia aceitar a humanidade. O vitorioso Homem Cristo Jesus pagou o que a Lei exigia do pecador.

    Umas perguntinhas: Deus deu Seu Filho Unigênito na cruz, no Getsêmani, na manjedoura, no Éden, ou bem antes de tudo isso? Mudaria Deus o que já estava em Seu propósito? Depois de dado, poderia Ele Se arrepender e não dar mais? Aquelas matanças relatadas no Velho Testamento devem realmente ser atribuídas ao Criador e Redentor?

    Dou graças a Deus porque Ele já nos deu a resposta quando Se manifestou ao desesperado Adão, nosso pai, cuja manhã da ressurreição, prometida, o aguarda.

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