Para tal tempo como este: O apóstolo Paulo

VERSO PARA MEMORIZAR: “Portanto, eu me glorio em Cristo Jesus em meu serviço a Deus” (Rm 15:17).

O apóstolo Paulo teve um impacto poderoso sobre o mundo conhecido de então, espalhando o cristianismo muito além dos limites geográficos de Israel e do povo judeu. Sua vida e ministério são um modelo para nossa missão hoje.

A idéia de que as boas-novas também eram boas-novas para os gentios foi um choque para pessoas que, apesar dos ensinos de seus profetas, cresceram com uma compreensão diferente. A salvação de Deus estava voltada para o mundo inteiro, não apenas para o povo judeu. Que mudança de paradigma!

O apóstolo Paulo foi um líder-chave para abrir essa revelação. Sua origem, sua personalidade e seu chamado de Deus o tornaram a pessoa certa no tempo certo para guiar a igreja nessa nova era de missão a todos os povos.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia passou por um processo semelhante durante o final do século 19, quando deu início a sua missão de trabalhar fora da América do Norte. Esse foi um passo radical que lançou os fundamentos da obra missionária adventista internacional de hoje em mais de duzentos países.

A origem de Paulo

Depois de Jesus, o apóstolo Paulo é, sem dúvida, o personagem mais influente do Novo Testamento. Ele levou as boas-novas sobre Jesus a grande parte do mundo conhecido de então.

Paulo nasceu em Tarso, naquela época, capital da Cilícia, uma província romana no que é hoje a Turquia. Essa área era conhecida por seus tecidos de pêlo de cabras, que eram extensamente usadas para o fabrico de tendas, a profissão de Paulo (At 18:3).

Paulo era cidadão romano por nascimento e judeu por descendência. Podia, portanto, dialogar com facilidade com essas duas nacionalidades.

A cidadania romana de nascença era altamente valorizada. Nos dias de Paulo, uma pessoa podia adquirir a cidadania romana por 500 dracmas, perto de dois anos de salário de um trabalhador mediano. A cidadania romana trazia consigo certos privilégios – segurança contra o açoitamento e a pena de morte sem julgamento (veja At 22:23-29); direito de votar, fazer contratos, ter um casamento legal e isenção de impostos.

Mas ele também era judeu, com uma rica herança espiritual. Anos mais tarde, Paulo se referia freqüentemente à sua herança e dizia: “Fui instruído… segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje” (At 22:3).

Paulo era da tribo de Benjamin, criado como fariseu e estudou aos pés do grande Gamaliel (v. 3), um dos principais mestres judeus daquele tempo. Aprendemos na carta de Paulo aos Gálatas que ele era “extremamente zeloso das tradições de [seus] pais” (Gl 1:14). Esse zelo se traduziu na perseguição daqueles que se tornaram seguidores de Jesus.

Judeu zeloso, cidadão romano, Paulo logo se tornou o maior apóstolo que o mundo conheceu.

Paulo: conversão e chamado

O apóstolo Paulo não foi sempre o apóstolo Paulo, mas Saulo de Tarso, da primeira igreja. Ele teve uma experiência que o deixou em um caminho que mudaria não só sua própria vida mas também a História.

Paulo não precisou receber qualquer profunda explicação teológica antes de se render a Jesus. Jesus Cristo Se manifestou a ele em visão. Ali mesmo, e naquele mesmo momento, Paulo se deu ao Senhor, perguntando: “Que farei, Senhor?” (At 22:10). O oponente impetuoso de Jesus era agora Seu servo humilhado e quebrantado.

Depois de sua conversão, Paulo se encontrou com Pedro, Tiago e João, as “colunas” entre os apóstolos – e eles concordaram que o chamado especial de Paulo era para ir como apóstolo aos gentios (Gl 2:7-9).

Luz para os gentios

Embora Paulo se considerasse um enviado ou instrumento especial para alcançar os gentios, ele também partilhava as boas-novas com judeus, assim como outros apóstolos, a exemplo de Pedro, pregaram principalmente aos judeus, e também aos gentios. De fato, Pedro foi o primeiro apóstolo a alcançar os gentios (veja At 10).

Paulo: Homem “sujeito aos mesmos sentimentos”

É tão fácil imaginar Paulo, o grande apóstolo dos gentios e, com exceção do próprio Jesus, a maior força em todo o cristianismo, como um tipo de ser sobre-humano, um arauto da fé, santo e sem defeitos.

Mas esse não é o quadro apresentado no Novo Testamento. As Escrituras nos põem a todos sob o pecado, nos descreve a todos como pecadores necessitados da graça divina. Nem o apóstolo Paulo é uma exceção.

Às vezes, Paulo parece impulsivo, quase agressivo. Ele se erguia freqüentemente em defesa de seus direitos. Quando ele e Silas estavam na prisão, ele apelou para seus direitos como cidadão romano (At 16:35-40). Mais tarde, no tribunal de Agripa, ele apelou para César – que era um de seus direitos como cidadão romano (At 25:11, 12). Se ele tivesse esperado e não exigido seus direitos, poderia mais tarde ter sido libertado (At 26:32).

É um conforto saber que um gigante da fé como o apóstolo Paulo não era perfeito. Às vezes, ele cometeu erros. Ele precisava da graça e do perdão diários de Jesus em sua vida, assim como nós. Realmente, em tudo o que podemos dizer de seus escritos, Paulo estava muito ciente de sua pecaminosidade. Parcialmente, pelo menos, foi sem dúvida essa consciência de suas próprias fraquezas e culpas que o fez um mestre tão poderoso da graça salvadora de Deus.

Paulo se julgava o maior dos pecadores. Nós também podemos encontrar o perdão e salvação, apesar de nossas deficiências e pecaminosidade.

Vida e salvação por meio de Cristo

Vários temas importantes dominaram e motivavam a vida e a missão do apóstolo Paulo. No topo da lista estava a história de Jesus crucificado. Esse evento era a base de tudo o que ele ensinava e fazia. Ele escreveu aos Coríntios: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2:2), e aos Gálatas: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14). Estes versos mostram que, para Paulo, a cruz de Cristo (que necessariamente incluía também a Sua ressurreição) era o tema central de toda a sua teologia.

Ao longo de seus escritos, Paulo descreve de muitas maneiras diferentes a enormidade do que Jesus fez na Cruz para salvar a humanidade.

Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; (Rom. 5:10)

e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. (Rom. 6:18)

Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. (Rom. 8:15-17)

o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos. (1 Tim. 2:6)

sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, (1 Ped. 1:18-19)

Paulo usa várias imagens e diferentes palavra para descrever o que Cristo fez por nós. É mais provável que nenhuma única imagem pudesse fazer justiça à grandiosidade do que foi realizado por nós na cruz.

Temas de Esperança

Vivendo uma vida piedosa (santificação). Paulo deixa muito claro ao longo de seus escritos que a salvação é gratuita, um dom que não podemos conquistar nem merecer.

Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. (Rom. 5:15)

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rom. 6:23)

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; (Efés. 2:8)

Mas a salvação não nos livra de agir como fazíamos antes de encontrarmos Jesus. Em resposta à Sua graça, devemos viver como Jesus nos pede que vivamos.

Paulo escreve a Timóteo: “Segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” (1Tm 6:11). Não fazemos o que é certo para que Jesus nos salve; fazemos o que é certo porque fomos salvos. De fato, diz Paulo, fomos “criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2:10).

Não obedecemos a Deus para que Ele nos ame, nos aceite ou nos dê uma entrada para o Céu. Quando aceitamos o dom de Jesus de salvação, somos aceitos total e incondicionalmente. Obedecemos a Deus porque Seu amor poderoso nos leva a boas obras. Obedecemos-Lhe porque Seu amor nos constrange (veja 2 Co 5:14).

Somos participantes da natureza divina, temos os recursos para obter vida e piedade, temos preciosas promessas.

Resumo: Paulo constitui um maravilhoso exemplo de que não existe limite para o que Deus pode fazer por nós – embora sejamos humanos e fracos. O ambiente do qual veio Paulo e seus dons inigualáveis o habilitaram a levar as boas-novas sobre Jesus a um campo missionário inteiramente novo.

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