A Esperança da Vida (As Parábolas da Ovelha e da Dracma Perdida)

Congregando-se os “publicanos e pecadores” em volta de Cristo, os rabinos exprimiram seu desagrado. “Este recebe pecadores”, disseram, “e come com eles.” Luc. 15:1 e 2.

Por esta acusação insinuaram que Cristo tinha prazer em associar-Se com os pecadores e vis, e era insensível à sua impiedade. Os rabinos ficaram desapontados com Jesus. Por que era que Aquele que pretendia ter tão elevado caráter não Se relacionava com eles, e não seguia seus métodos de ensino? Por que andava tão despretensiosamente, atuando entre todas as classes? Se fosse profeta verdadeiro, diziam, estaria em harmonia com eles e trataria os publicanos e pecadores com a indiferença que mereciam. Irritava a esses guardiões da sociedade, que Aquele com quem tinham constantes disputas, cuja pureza de vida os aterrorizava e condenava, Se relacionasse em aparente simpatia com os párias da sociedade. Não Lhe aprovavam os métodos. Consideravam-se muito ilustrados, cultos e preeminentemente religiosos; mas o exemplo de Cristo lhes desmascarou o egoísmo.

Enfadava-os também que os que manifestavam unicamente desprezo aos rabinos, e nunca eram vistos nas sinagogas, se agregassem ao redor de Jesus e, com atenção arrebatada, Lhe escutassem as palavras. Os escribas e fariseus sentiam-se reprovados naquela presença pura; mas como se podia dar que os publicanos e pecadores se sentissem atraídos a Jesus?

Não sabiam que a explicação estava justamente nas palavras que pronunciaram, como insultuosa acusação: “Este recebe pecadores.” Luc. 15:2. As pessoas que iam ter com Jesus sentiam em Sua presença que mesmo para elas havia escape do abismo do pecado. Os fariseus para elas só tinham escárnio e condenação; Cristo, porém, as saudava como filhos de Deus, que na verdade se afastaram da casa paterna, mas não foram esquecidas pelo coração do Pai. Justamente sua miséria e pecados os tornavam tanto mais o objeto de Sua compaixão. Quanto mais dEle se haviam desviado, tanto mais ardoroso o desejo e maior o sacrifício para salvá-los.

Tudo isto os mestres de Israel podiam ter estudado no Sagrado Volume de que se gloriavam ser os guardas e expositores. Não escrevera Davi – Davi que caíra em pecado mortal: “Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o Teu servo”? Sal. 119:176. Não revelara Miquéias o amor de Deus aos pecadores, dizendo: “Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniqüidade e que Te esqueces da rebelião do restante da Tua herança? O Senhor não retém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade.” Miq. 7:18.

A Ovelha Perdida

Cristo não lembrou aos Seus ouvintes desta vez as palavras da Escritura. Apelou ao testemunho de sua própria experiência. Os planaltos que se estendiam ao longe, ao oriente do Jordão, ofereceriam abundantes pastagens para rebanhos, e, pelos desfiladeiros e colinas arborizadas, desgarrava-se muita ovelha perdida, para ser procurada e trazida de volta pelo cuidado do pastor. Entre a multidão que rodeava a Jesus, havia pastores e também homens que investiam dinheiro em rebanhos e gado; e todos podiam apreciar Sua ilustração. “Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” Luc. 15:4.

Estas almas que vós desprezais, dizia Jesus, são propriedade de Deus. Pertencem-Lhe pela criação e redenção, e a Seus olhos são de grande valor. Assim como o pastor ama as ovelhas e não pode sossegar enquanto uma única lhe falta, também Deus, em grau infinitamente mais alto, ama todo perdido. Os homens podem negar as reivindicações de Seu amor. Podem dEle desviar-se, podem escolher outro mestre; contudo, pertencem a Deus, e Ele anela recuperar Sua propriedade. Diz: “Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as Minhas ovelhas; e as farei voltar de todos os lugares por onde andam espalhadas no dia de nuvens e de escuridão.” Ezeq. 34:12.

Na parábola, o pastor sai em busca de uma ovelha – o mínimo que pode ser numerado. Assim, se houvesse apenas uma alma perdida, Cristo por ela teria morrido.

A ovelha desgarrada do rebanho é a mais desamparada de todas as criaturas. Precisa ser procurada pelo pastor, pois não pode, sozinha, encontrar o caminho de volta. O mesmo se dá com a alma que se desviou de Deus; está tão desamparada quanto a ovelha perdida, e se o amor divino não fosse salvá-la, jamais poderia achar o caminho para Deus.

O pastor que descobre a ausência de uma ovelha, não contempla indiferentemente o rebanho que está seguro no redil, dizendo: “Tenho noventa e nove, e custar-me-á muita perturbação ir em busca da desgarrada.

Ela que volte; abrir-lhe-ei a porta do redil e a deixarei entrar.” Não; logo que a ovelha se afasta, o pastor enche-se de cuidados e apreensões. Conta e reconta o rebanho. Quando se certifica de que realmente uma ovelha se perdeu, não dormita. Deixa as noventa e nove no redil, e sai em busca da ovelha desgarrada. Quanto mais escura e tempestuosa a noite, e quanto mais perigoso o caminho, tanto maior é a apreensão do pastor e tanto mais diligentemente a procura. Faz todos os esforços possíveis para encontrar a ovelha perdida.

Com que alívio ouve a distância o primeiro fraco balido! Seguindo o som, sobe às mais íngremes alturas, chega, com o perigo da própria vida, até à borda do precipício. Deste modo procura, enquanto o balido mais e mais fraco lhe diz que a ovelha está prestes a sucumbir. Por fim seu esforço é recompensado; achou a perdida. Não a repreende por lhe haver causado tanta fadiga; não a bate com chicote, nem tenta guiá-la para casa. Em sua alegria toma sobre os ombros a criatura trêmula; se está magoada, acolhe-a nos braços, e aperta-a de encontro ao peito para que o calor de seu próprio coração lhe comunique vida. Jubiloso porque sua diligência não foi em vão, carrega-a de volta ao redil.

Graças a Deus, Ele não nos apresentou à imaginação o quadro de um pastor aflito, voltando sem a ovelha. A parábola não fala de fracasso, mas de êxito e alegria pela recuperação. Eis a garantia divina, de que nenhuma das ovelhas extraviadas do redil de Deus é desprezada, nem abandonada sem socorro. Cristo salvará a cada um que se queira deixar redimir do abismo da corrupção e dos espinheiros do pecado.

Alma abatida, anime-se, embora tendo procedido impiamente. Não pense que Deus talvez lhe perdoe as transgressões e permita ir à Sua presença. Deus deu o primeiro passo. Enquanto você estava em rebelião contra Ele, saiu a sua procura. Com o terno coração de Pastor, deixou as noventa e nove e foi ao deserto para buscar a que se perdera. Envolve em Seus braços de amor a alma ferida e quebrantada, prestes a perecer e leva-a com alegria ao aprisco seguro.

Os judeus ensinavam que o pecador devia arrepender-se antes de lhe ser oferecido o amor de Deus. A seu parecer, o arrependimento é obra pela qual os homens ganham o favor do Céu. Foi esse pensamento que induziu os fariseus atônitos e irados a exclamarem: “Este recebe pecadores.” Luc. 15:2. Conforme sua suposição, não devia permitir que pessoa alguma a Ele se achegasse sem se ter arrependido. Mas na parábola da ovelha perdida, Cristo ensina que a salvação não é alcançada por procurarmos a Deus, mas porque Deus nos procura. “Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram.” Rom. 3:11 e 12. Não nos arrependemos para que Deus nos ame, porém Ele nos revela Seu amor para que nos arrependamos.

Quando a ovelha extraviada é recolhida afinal, o júbilo do pastor se exprime em cânticos melodiosos de regozijo. Convoca seus amigos e vizinhos e lhes diz: “Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.” Luc. 15:6. Igualmente o Céu e a Terra unem-se em ações de graças e júbilo quando um pecador é achado pelo grande Pastor de ovelhas.

“Assim haverá alegria no Céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” Luc. 15:7. Vós, fariseus, disse Cristo, vos considerais os favoritos do Céu. Julgai-vos seguros na vossa própria justiça. Sabei, pois, que se não necessitais de arrependimento, Minha missão não é para vós. Estas pobres almas que sentem sua destituição e pecaminosidade, são justamente aquelas, para cuja salvação Eu vim. Os anjos celestiais estão interessados nos perdidos que desprezais. Murmurais e zombais quando uma dessas almas vem a Mim; sabei, porém, que os anjos se regozijam e nas arcadas celestes ecoa o cântico de triunfo.

Os rabinos tinham um dito, segundo o qual há alegria no Céu, quando alguém que pecou contra Deus é destruído; contudo Jesus ensinava que a obra de destruição é estranha a Deus. Aquilo em que todo o Céu se compraz é a restauração da imagem de Deus nos homens por Ele criados.

Quando alguém que vagou longe no pecado procura voltar para Deus, encontrará suspeita e crítica. Há os que duvidarão de que o arrependimento seja genuíno, ou insinuarão: “Ele não tem estabilidade; não creio que resista.” Tais pessoas não fazem a obra de Deus, porém a de Satanás, que é o acusador dos irmãos. Por suas críticas, o maligno espera desencorajá-las, afastá-las ainda mais da esperança e de Deus. Contemple o pecador arrependido a alegria do Céu pela volta daquele que se perdera. Confie no amor de Deus e não desanime de maneira alguma pelo escárnio e suspeita dos fariseus.

Os rabinos compreendiam que a parábola de Cristo se aplicava aos publicanos e pecadores; mas tinha uma significação mais ampla. Cristo representava pela ovelha perdida, não somente o pecador individual, mas o mundo que apostatou e se arruinou pelo pecado. Este mundo é apenas um átomo no vasto domínio sobre que Deus preside; contudo este pequeno mundo perdido – a única ovelha extraviada – é mais precioso a Seus olhos, que as noventa e nove que não se desviaram do redil. Cristo, o amado Comandante das cortes celestiais, desceu de Sua alta posição, depôs a glória que possuía junto ao Pai, para salvar o único mundo perdido. Por este, deixou os mundos sem pecado nas alturas, os noventa e nove que O amavam, e veio à Terra para ser “ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades”. Isa. 53:5. Deus Se entregou a Si mesmo em Seu Filho, para que tivesse a alegria de recuperar a ovelha que se perdera.

“Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus.” I João 3:1. E Cristo diz: “Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo” (João 17:18), para que cumpram “o resto das aflições de Cristo, pelo Seu corpo, que é a igreja”. Col. 1:24. Todo pecador que Cristo salvou, é chamado a atuar em Seu nome pela salvação dos perdidos. Essa obra fora negligenciada em Israel. Não é também hoje negligenciada pelos que professam ser seguidores de Cristo?

Quantos afastados, caro leitor, procuraste e trouxeste ao redil? Reconheces que desprezas os que Cristo procura, quando te desvias dos que parecem pouco promissores e não atraentes? Justamente no momento em que te esquivas deles, podem carecer muito de tua compaixão. Em toda assembléia de culto, há os que anseiam descanso e paz. Podem parecer como se vivessem indiferentemente, mas não são insensíveis à influência do Espírito Santo. Muitos deles podem ser ganhos para Cristo.

Se a ovelha perdida não é trazida ao aprisco, vagueia até perecer. E muitas almas descem à ruína pela falta de uma mão estendida para salvá-las. Estes errantes podem aparentar ser endurecidos e indiferentes, mas se tivessem tido os mesmos privilégios que outros, poderiam ter revelado muito maior nobreza de caráter e maior talento para utilidade. Os anjos se compadecem desses errantes. Eles choram, enquanto os olhos humanos estão enxutos e os corações cerrados à compaixão.

Oh, que falta de profunda e tocante simpatia pelos tentados e errantes! Oh, se houvesse mais do espírito de Cristo e menos, muito menos do próprio eu!

Os fariseus entenderam a parábola de Cristo como uma repreensão a eles feita. Em vez de aceitar a crítica de Sua obra, reprovou-lhes a negligência dos publicanos e pecadores. Não o fez abertamente, para que contra Ele não cerrassem o coração; todavia a ilustração lhes apresentava justamente a obra que Deus deles exigia e tinham deixado de executar. Se fossem verdadeiros pastores, esses guias de Israel teriam efetuado a obra de um pastor. Teriam manifestado a misericórdia e amor de Cristo, e ter-se-iam unido a Ele em Sua missão. Sua recusa de fazê-lo demonstrou a falsidade de sua pretensa piedade. Muitos rejeitaram, então, a reprovação de Cristo; mas alguns se convenceram por Suas palavras. Sobre estes veio o Espírito Santo, depois de Sua ascensão, e uniram-se aos discípulos na mesma obra esboçada na parábola da ovelha perdida.

A Dracma Perdida

Depois de dar a parábola da ovelha perdida, Cristo pronunciou outra, dizendo: “Qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?” Luc. 15:8.

No oriente, as casas dos pobres consistiam usualmente em um único quarto freqüentemente sem janelas, e escuro. O quarto raramente era varrido, e uma moeda que caísse era facilmente coberta pelo pó e lixo. Para encontrá-la, mesmo durante o dia era preciso acender uma candeia e varrer a casa diligentemente.

O dote de casamento da mulher comumente consistia em moedas que ela guardava cuidadosamente como seu maior tesouro, para transmitir às filhas. A perda de uma dessas moedas era considerada séria calamidade, e sua recuperação era causa de grande alegria, de que as vizinhas participavam prontamente.

“E, achando-a”, disse Cristo, “convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” Luc. 15:9 e 10.

Essa parábola, como a anterior, descreve a perda de alguma coisa que por diligente procura, pode ser recobrada, e isto com grande alegria. As duas parábolas representam classes diversas. A ovelha perdida sabe que está perdida. Deixou o pastor e o rebanho, e não pode salvar-se por si. Representa os que reconhecem estar separados de Deus, e estão numa nuvem de perplexidades, em humilhação e muito tentados. A dracma perdida representa os que estão perdidos em delitos e pecados, mas não estão conscientes de sua condição. Estão alienados de Deus, mas não o sabem. Sua vida está em perigo, porém estão disso inconscientes e descuidados. “Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos Teus mandamentos.” Sal. 119:176. Nesta parábola Cristo ensina que mesmo os que são indiferentes às reivindicações de Deus são objeto de Seu amor piedoso. Precisam ser procurados para serem reconduzidos a Deus.

A ovelha afastou-se do redil; vagava no deserto ou nas montanhas. A dracma foi perdida em casa. Estava próxima. Contudo só podia ser descoberta por meio de busca diligente.

Nesta parábola há uma lição para as famílias. No círculo familiar há muitas vezes grande indiferença quanto à condição espiritual de seus componentes. Pode haver um dentre eles que esteja separado de Deus; mas quão pouca ansiedade é sentida na família, pela perda de uma das dádivas confiadas por Deus!

Embora esteja sob pó e lixo, a moeda é ainda de prata. O possuidor procura-a porque é de valor. Assim todo ser humano, embora degradado pelo pecado, é precioso aos olhos de Deus. Como a moeda traz a imagem e a inscrição do poder reinante, igualmente, quando foi criado, o homem trazia a imagem e a inscrição de Deus. E conquanto agora manchada e desfigurada pela influência do pecado, permanecem em toda alma os traços dessa inscrição. Deus deseja recobrar essa alma e sobre ela gravar Sua própria imagem em justiça e santidade.

A mulher da parábola busca diligentemente a dracma perdida. Acende a candeia e varre a casa. Remove tudo que possa impedir sua procura. Embora uma única dracma esteja perdida, não cessam seus esforços até encontrá-la. Semelhantemente na família, se algum membro estiver perdido para Deus, deve ser empregado todo meio possível para recuperá-lo. Por parte de todos, haja um diligente e cuidadoso exame próprio. Observem-se os costumes de vida. Vede se não se comete uma falta ou erro no governo do lar, pelo qual se confirme na impenitência.

Se na família um filho não estiver consciente de sua condição pecaminosa, os pais não devem descansar. Acenda-se a candeia! Examinai a Palavra de Deus e à sua luz procurai diligentemente tudo que houver na casa, para ver por que esse filho está perdido. Examinem os pais o próprio coração e esquadrinhem seus hábitos e costumes. Os filhos são a herança do Senhor e Lhe somos responsáveis pela administração de Sua propriedade.

Há pais e mães que anelam trabalhar em qualquer missão estrangeira; muitos há que são ativos no serviço cristão fora da família, enquanto para seus próprios filhos são estranhos o Salvador e Sua compaixão. A obra de ganhar os filhos para Cristo muitos pais confiam ao pastor ou ao professor da Escola Sabatina; porém, assim fazendo, negligenciam a responsabilidade imposta por Deus. A educação e instrução dos filhos para serem cristãos é o mais elevado serviço que os pais podem prestar a Deus. É uma tarefa que requer paciência, esforço de toda a vida, diligente e perseverante. Pela negligência desse trabalho a nós confiado provamo-nos mordomos infiéis, e Deus não a desculpará.

Todavia os que incorreram em tal desleixo, não desesperem. A mulher que perdeu a dracma, procurou-a até achá-la. Trabalhem igualmente os pais para a família com amor, fé e oração, “Mas Jesus, chamando-as para Si, disse: Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como uma criança não entrará nele.” Luc. 18:16 e 17. até que possam ir a Deus com alegria e dizer: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor.” Isa. 8:18.

Isto é verdadeiro serviço missionário no lar, e é tão útil para os que o fazem, como para aqueles por quem é feito. Por interesse fiel pelo círculo do lar, nós nos tornamos aptos para trabalhar pelos membros da família de Deus, com os quais, se permanecermos leais a Cristo, viveremos durante toda a eternidade. Devemos manifestar, pelos irmãos e irmãs em Cristo, o mesmo interesse que demonstramos em família.

É plano de Deus que tudo isso nos habilite a trabalhar por outros ainda. Ampliando-se-nos a simpatia e engrandecendo o amor, acharemos em toda parte alguma obra. A grande família humana de Deus abrange o mundo, e nenhum de seus membros deve ser esquecido por menosprezo.

Onde quer que estejamos, a dracma perdida espera nossa procura. Procuramo-la? Dia após dia encontramo-nos com pessoas que não tomam interesse em coisas religiosas; falamos com as mesmas e as visitamos; manifestamos interesse pelo seu bem-estar espiritual? Expomos-lhes Cristo como um Salvador que perdoa os pecados? Falamos-lhes do amor de Cristo que nos inflamou o coração? Se não, como as enfrentaremos – perdidas, eternamente perdidas – quando juntos estivermos perante o trono de Deus?

Quem pode calcular o valor de uma pessoa? Se quiserdes conhecê-lo, ide ao Getsêmani, e vigiai lá com Cristo durante aquelas horas de angústia, quando suava grandes gotas de sangue. Contemplai o Salvador crucificado! Ouvi o brado de desespero: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Mar. 15:34. Vede a fronte ferida, o lado traspassado, os pés perfurados! Lembrai que Cristo tudo arriscou! Para a nossa redenção o próprio Céu esteve em jogo. Meditando junto à cruz, que Cristo teria dado Sua vida por um único pecador, podeis apreciar o valor de uma pessoa.

Se você estiver em comunhão com Cristo, valorizará todo ser humano como Ele o fez. Sentirá pelos outros o mesmo profundo amor que Cristo sentiu por você. Então estará apto para cativar e não afugentar, atrair e não repelir aqueles por quem Ele morreu. Ninguém seria jamais reconduzido a Deus se Cristo por ele não fizesse um esforço pessoal; e é por esse trabalho pessoal que podemos salvá-lo. Quando você vir os que baixam à sepultura, não descansará em tranqüila indiferença e sossego. Quanto maior o pecado deles e mais profunda sua miséria, tanto mais sinceros e ternos serão os esforços para sua recuperação. Discernirá a necessidade dos que sofrem, que pecaram contra Deus e são oprimidos pelo fardo da culpa. Seu coração transbordará de simpatia por eles, e estender-lhes-á uma mão auxiliadora. Nos braços de sua fé e amor levá-los-á a Cristo. Cuidará deles e os animará, e sua simpatia e confiança tornar-lhes-á difícil cair de sua estabilidade.

Nesta obra todos os anjos do Céu estão prontos a cooperar. Todos os recursos do Céu estão à disposição dos que procuram salvar os perdidos. Os anjos o auxiliarão a alcançar os mais indiferentes e empedernidos. E quando alguém é reconduzido a Deus, todo o Céu se alegra; serafins e querubins tocam suas harpas douradas, e cantam louvores a Deus e ao Cordeiro, por Seu amor e misericórdia pelos filhos dos homens.

Extraído do Livro Parábolas de Jesus de Ellen G. White, págs 185 à 198.

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