A Verdade do Santuário – Uma Introdução

Escrevendo sobre o que devia ser realizado antes da vinda do Senhor, pela Igreja Adventista do Sétimo Dia que despontava, Ellen G. White disse em 1883:

O espírito dos crentes devia ser dirigido ao santuário celeste, aonde Cristo entrara para fazer expiação por Seu povo. Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 67.

Numa situação de crise em 1906, quando vários dos ensinos básicos dos adventistas do sétimo dia estavam sendo ameaçados, ela escreveu:

A compreensão correta do ministério do santuário celestial constitui o alicerce de nossa fé. Evangelismo, pág. 221.

O Fim dos 2.300 Dias

Entre as profecias que formam a base do despertamento do movimento adventista na primeira década dos anos 1830 e 1840 estava a de Daniel 8:14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.”

Ellen White, que passou pela experiência, esclarece com respeito à aplicação dessa profecia:

Em conformidade com o resto do mundo cristão, os adventistas admitiam, nesse tempo, que a Terra, ou alguma parte dela, era o santuário. Entendiam que a purificação do santuário fosse a purificação da Terra pelos fogos do último grande dia, e que ocorreria por ocasião do segundo advento. Daí a conclusão de que Cristo voltaria à Terra em 1844. O Grande Conflito, pág. 409.

Este período profético chegou ao fim em 22 de outubro de 1844. Para os que esperavam encontrar o Senhor nesse dia, o desapontamento foi grande. Hiram Edson, um criterioso estudioso da Bíblia na área central do Estado de Nova Iorque, descreve o que aconteceu entre o grupo de crentes de que ele era parte:

Nossas expectativas haviam-se elevado alto, e assim aguardávamos a vinda de nosso Senhor, até que o relógio soou as doze horas da meia-noite. O dia havia-se passado então, e nosso desapontamento havia-se tornado uma certeza. Nossas mais profundas esperanças e expectativas desmoronaram-se, e sobre nós veio tal espírito de pranto como jamais havíamos experimentado antes. Parecia que a perda de todos os amigos terrestres não podia ter comparação. Choramos e choramos, até que o dia raiou. …

Ponderando em meu coração, eu disse: “Minha experiência do advento tem sido a mais bela de toda a minha experiência cristã. … Falhou a Bíblia? Não há Deus, nem Céu, nem cidade dourada e nem Paraíso? Não passa tudo isso de uma fábula habilidosamente engendrada? Não são reais nossas mais fundas esperanças e expectativas?” …

Eu comecei a sentir que devia haver luz e auxílio para nós nesta hora de agonia. Eu disse a alguns dos irmãos: “Vamos para o celeiro.” Entramos no celeiro, fechamos a porta, e dobramo-nos perante o Senhor. Oramos fervorosamente, pois sentíamos nossa necessidade. Prosseguimos em intensa oração até que nos fosse dado o testemunho do Espírito de que nossas orações eram aceitas, e luz ser-nos-ia concedida – nosso desapontamento explicado e satisfatoriamente esclarecido.

Depois do desjejum eu disse a um de meus irmãos: “Vamos sair e encorajar a alguns de nossos irmãos.” Saímos, e enquanto caminhávamos através de um grande campo, fui impedido de continuar aproximadamente na metade do campo. O Céu parecia abrir-se ante meus olhos, e eu vi clara e distintamente que em vez de nosso Sumo Sacerdote haver saído do lugar santíssimo do santuário celestial para a Terra no décimo dia do sétimo mês, ao final dos 2.300 dias, Ele, pela primeira vez, entrava nesse dia no segundo compartimento daquele santuário, e que Ele tinha um trabalho a realizar no lugar santíssimo antes de vir à Terra; que Ele veio para as bodas, ou em outras palavras, ao Ancião de Dias, a fim de receber o reino, e o domínio e a glória; e que devíamos esperar Seu retorno das bodas. E minha mente foi dirigida para o décimo capítulo de Apocalipse, onde pude ver que a visão havia falado e não havia mentido. Review and Herald, 23 de junho de 1921.

Seguiu-se daí uma cuidadosa investigação das Escrituras, de todos os textos que tocavam neste assunto – particularmente os de Hebreus – por parte de Hiram Edson e dois íntimos associados, o Dr. F. B. Hahn, médico, e O. R. L. Crosier, professor. O resultado do estudo deste grupo foi escrito por Crosier e publicado, primeiro no The Day Dawn, um jornal de circulação limitada, e então reescrito e ampliado no formato num exemplar especial do Day-Star, em 7 de fevereiro de 1846. Este foi o jornal adventista mais amplamente lido, publicado em Cincinnati, Ohio. Por este meio foi alcançado certo número dos desapontados crentes do advento. A então extensa apresentação, bem comprovada pelas Escrituras, levou esperança e coragem ao coração deles, ao mostrar claramente que o santuário devia ser purificado ao fim dos 2.300 dias no Céu, e não na Terra, como haviam crido então.

Ellen G. White, numa afirmação escrita em 21 de abril de 1847, declarou sobre o artigo de Crosier a respeito da questão do santuário:

O Senhor me mostrou em visão, passado mais de um ano, que o irmão Crosier tinha a verdadeira luz sobre a purificação do santuário, etc.; e que foi Sua vontade que o irmão Crosier escrevesse a visão que ele nos apresentou no Day-Star Extra, em 7 de fevereiro de 1846. Sinto-me inteiramente autorizada pelo Senhor a recomendar este Extra a cada fiel. A Word to the Little Flock, pág. 12.

Posteriormente ela escreveu a respeito do rápido desenvolvimento da compreensão doutrinária que se seguiu ao desapontamento:

O passamento do tempo em 1844 foi um período de grandes eventos, abrindo-se a nossos olhos atônitos a purificação do  Santuário que ocorria no Céu, e tendo decidida relação com o povo de Deus sobre a Terra. Manuscrito 13, 1889.

A Verdade Estabelecida Pelo Testemunho do Espírito Santo

As visões dadas a Ellen White, conquanto não alcançando além do estudo da Bíblia, confirmavam a solidez da posição assumida de que uma importante fase do ministério de Cristo no santuário celestial tivera início em 22 de outubro de 1844. Gradualmente a largura e a profundidade do assunto abriram-se perante os crentes do advento. Olhando retrospectivamente à experiência nos últimos anos, ela relembrou seus estudos e as manifestas provas da mão guiadora de Deus:

Muitos de nosso povo não reconhecem quão firmemente foram lançados os alicerces de nossa fé. Meu esposo, o Pastor José Bates, o Pai Pierce, o Pastor [Hiram] Edson, e outros que eram inteligentes, nobres e verdadeiros, achavam-se entre os que, expirado o tempo em 1844, buscavam a verdade como a tesouros escondidos. Reunia-me com eles, e estudávamos e orávamos fervorosamente. Muitas vezes ficávamos reunidos até alta noite, e às vezes a noite toda, pedindo luz e estudando a Palavra. Repetidas vezes esses irmãos se reuniram para estudar a Bíblia, a fim de que conhecessem seu sentido e estivessem preparados para ensiná-la com poder. Quando, em seu estudo, chegavam a ponto de dizerem: “Nada mais podemos fazer”, o Espírito do Senhor vinha sobre mim, e eu era arrebatada em visão, e era-me dada uma clara explanação das passagens que estivéramos estudando, com instruções quanto à maneira em que devíamos trabalhar e ensinar eficientemente. Assim nos foi proporcionada luz que nos ajudou a compreender as passagens acerca de Cristo, Sua missão e sacerdócio. Foi-me tornada clara uma seqüência de verdades que se estendia daquele tempo até ao tempo em que entraremos na cidade de Deus, e transmiti aos outros as instruções que o Senhor me dera.

Durante todo o tempo eu não podia compreender o arrazoamento dos irmãos. Minha mente estava por assim dizer fechada, não podia compreender o sentido das passagens que estudávamos. Esta foi uma das maiores tristezas de minha vida.

Fiquei neste estado de espírito até que nos fossem tornados claros todos os pontos principais de nossa fé, em harmonia com a Palavra de Deus. Os irmãos sabiam que, quando não em visão, eu não compreendia esses assuntos, e aceitaram como luz direta do Céu as revelações dadas. Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 206 e 207.

A compreensão de que Cristo havia entrado no lugar santíssimo do santuário celestial para iniciar a parte final de Seu ministério em nosso favor, tipificada no serviço do santuário observado por Israel no passado, inculcava solenidade ao coração de nossos pioneiros adventistas. As verdades eram tão claras, tão grandiosas, tão vitais, que era difícil o senso de que sobre eles pesava a responsabilidade de comunicar esta luz a outros. Ellen White escreveu sobre a certeza de sua posição:

Temos de estar firmados na fé segundo a luz da verdade que nos foi dada em nossa primeira experiência. Naquele tempo, erro após erro procurava forçar entrada entre nós; ministros e doutores introduziam novas doutrinas. Nós estudávamos as Escrituras com muita oração, e o Espírito Santo nos trazia ao espírito a verdade. Por vezes noites inteiras eram consagradas à pesquisa das Escrituras, a pedir fervorosamente a Deus Sua guia. Juntavam-se para esse fim grupos de homens e mulheres pios. O poder de Deus vinha sobre mim, e eu era habilitada a definir claramente o que era verdade ou erro.

Ao serem assim estabelecidos os pontos de nossa fé, nossos pés se colocavam sobre um firme fundamento. Aceitávamos a verdade ponto por ponto, sob a demonstração do Espírito Santo. Eu era arrebatada em visão, e eram-me feitas explanações. Foram-me dadas ilustrações de coisas celestiais, e do santuário, de modo que fomos colocados em posição onde a luz sobre nós resplandecia em raios claros e distintos.

Eu sei que a questão do santuário se firma em justiça e verdade, tal como a temos mantido por tantos anos. Obreiros Evangélicos, págs. 302 e 303.

Os pioneiros do advento viram a verdade do santuário como básica para toda a estruturação da doutrina dos adventistas do sétimo dia. Tiago White, em 1850, republicou as partes essenciais da primeira apresentação do assunto feita por O. R. L. Crosier, e comentou:

O assunto do santuário deve ser cuidadosamente examinado, visto que relacionado com o fundamento de nossa fé e esperança. The Advent Review (número especial).

O Santuário e o Sábado

Foi no conjunto de uma visão sobre o santuário celestial que a verdade do sábado foi confirmada na visão dada a Ellen White em 3 de abril de 1847, no lar dos Howland em Topshan, Maine. Sobre isto ela escreve:

Sentíamos um incomum espírito de oração. E ao orarmos o Espírito Santo desceu sobre nós. Estávamos muito felizes. Logo perdi de vista as coisas terrestres e fui arrebatada em visão da glória de Deus. Vi um anjo que voava ligeiro para mim. Rápido levou-me da Terra para a Cidade Santa. Na cidade vi um templo no qual entrei. Passei por uma porta antes de chegar ao primeiro véu. Este véu foi erguido e eu entrei no lugar santo. Ali vi o altar de incenso, o castiçal com sete lâmpadas e a mesa com os pães da proposição. Depois de ter eu contemplado a glória do lugar santo, Jesus levantou o segundo véu e eu passei para o santo dos santos.

No lugar santíssimo vi uma arca, cujo alto e lados eram do mais puro ouro. Em cada extremidade da arca havia um querubim com suas asas estendidas sobre ela. Tinham os rostos voltados um para o outro, e olhavam para baixo. Entre os anjos estava um incensário de ouro. Sobre a arca, onde estavam os anjos, havia o brilho de excelente glória, como se fora a glória do trono da habitação de Deus. Jesus estava junto à arca, e ao subirem a Ele as orações dos santos, a fumaça do incenso subia, e Ele oferecia suas orações ao Pai com o fumo do incenso. Na arca estava a urna de ouro contendo o maná, a vara de Arão que florescera e as tábuas de pedra que se fechavam como um livro. Jesus abriu-as, e eu vi os Dez Mandamentos nelas escritos com o dedo de Deus. Numa das tábuas havia quatro mandamentos e na outra seis. Os quatro da primeira tábua eram mais brilhantes que os seis da outra. Mas o quarto, o mandamento do sábado, brilhava mais que os outros; pois o sábado foi separado para ser guardado em honra do santo nome de Deus. O santo sábado tinha aparência gloriosa – um halo de glória o circundava. Vi que o mandamento do sábado não fora pregado na cruz. Se tivesse sido, os outros nove mandamentos também o teriam, e estaríamos na liberdade de transgredi-los a todos, bem como o quarto mandamento. Vi que Deus não havia mudado o sábado, pois Ele jamais muda. Primeiros Escritos, págs. 32 e 33.

A Verdade do Santuário sob Fogo

Conquanto os que estavam ali vissem claramente os inegáveis reclamos da lei de Deus e começassem a observar o sábado do sétimo dia como indicado na lei de Deus, encontraram forte oposição. Sobre isso, e as razões para tanto, Ellen White explica:

Muitos e tenazes foram os esforços feitos para subverter-lhes a fé. Ninguém poderia deixar de ver que, se o santuário terrestre era uma figura ou modelo do celestial, a lei depositada na arca, na Terra, era uma transcrição exata da lei na arca, que está no Céu; e que a aceitação da verdade concernente ao santuário celeste envolvia o reconhecimento dos requisitos da lei de Deus, e da obrigatoriedade do sábado do quarto mandamento. Aí estava o segredo da oposição atroz e decidida à exposição harmoniosa das Escrituras, que revelavam o ministério de Cristo no santuário celestial. O Grande Conflito, pág. 435.

Não é muito de admirar que nos anos subseqüentes, pessoas que se haviam separado da Igreja Adventista do Sétimo Dia tenham feito da verdade do santuário um ponto de oposição. Foi assim com os Pastores Snook e Brinkerhof, funcionários do escritório do campo em Iowa, e com D. M. Canright, influente ministro, que deixou a Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1887 para se tornar amargo inimigo e crítico. Nem é de estranhar que idéias panteístas por volta do século, defendidas e advogadas por médicos e obreiros ministeriais, ferisse diretamente essa doutrina fundamental. Foi nesse quadro que Ellen White, em palavras de advertência, escreveu em 20 de novembro de 1905:

Aos médicos missionários e ministros que têm estado a beber nos sofismas científicos e enfeitiçantes fábulas contra os quais tendes sido advertidos, eu gostaria de dizer: Vossa alma está em perigo. O mundo precisa saber qual a vossa posição e qual a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Deus chama os que aceitaram esses enganos destruidores a que não mais mantenham duas posições. Se o Senhor é Deus, segui-O.

Satanás, com todo o seu exército, está no campo de batalha. Os soldados de Cristo devem agora se reunir em torno da bandeira ensangüentada de Emanuel. Em nome do Senhor, deixai a bandeira negra do príncipe das trevas, e assumi vossa posição com o Príncipe do Céu.

O que tem ouvidos para ouvir, ouça. Lede vossa Bíblia. De um terreno mais alto, sob a instrução que Deus me deu, Apresento estas coisas diante de vós. Está próximo o tempo em que os poderes enganadores de instrumentos satânicos serão amplamente desenvolvidos. De um lado está Cristo, a quem foi dado todo o poder no Céu e na Terra. Do outro está Satanás, exercendo continuamente seu poder para iludir, para iludir com fortes enganos espiritualistas, para remover o povo de Deus do lugar que deve ocupar na mente dos homens.

Satanás está continuamente se esforçando no sentido de introduzir fantasiosas suposições com relação ao santuário, rebaixando as maravilhosas representações de Deus e do ministério de Cristo para nossa salvação e coisas que satisfaçam a mente carnal. Ele remove do coração dos crentes o dominante poder desta verdade e supre o lugar com teorias fantásticas inventadas para tornar nulas as verdades da expiação, e destruir nossa confiança nas doutrinas que temos mantido como sagradas desde que foi dada a mensagem do terceiro anjo. Assim ele nos rouba em nossa fé na própria mensagem que nos tornou um povo separado, e deu caracterização e poder a nossa obra. Special Testimonies, Série B, nº 7, págs. 16 e 17.

Foi na moldura desta crise panteísta que Ellen White, presente à reunião da Associação Geral em 1905, declarou em palavras significativas para nós hoje:

No futuro, engano de toda espécie está para surgir, e precisamos de terreno firme para nossos pés. Queremos colunas sólidas para a edificação. Nem um só alfinete deve ser removido daquilo que o Senhor estabeleceu. O inimigo introduzirá falsas teorias, tais como a doutrina de que não existe santuário. Esse é um dos pontos em relação ao qual haverá um desvio da fé. Onde encontraremos segurança senão nas verdades que o Senhor nos deu nos últimos cinqüenta anos? Counsels to Writers and Editors, pág. 53.

Os pontos de vista panteístas, tão ardorosamente advogados por alguns, declarou Ellen White, “poriam a Deus fora” (Special Testimonies, Série B, nº 7, pág. 16), e invalidariam a verdade do santuário.

Cerca do mesmo tempo um de nossos pastores, a quem identificaremos como o “Pastor G”, abraçou a idéia de que quando Cristo voltou para o Céu após Seu ministério na Terra, entrou à presença de Deus, e que onde Deus está, deve estar o lugar santíssimo, de modo que em 22 de outubro de 1844, não houve a entrada no lugar santíssimo do santuário celestial, como cremos e ensinamos. Esses dois conceitos, ambos os quais feriam a doutrina do santuário como a mantemos, levaram Ellen White a se referir várias vezes à solidez e integridade deste ponto de nossa fé. Em 1904 ela escreveu:

Eles [os filhos de Deus], quer por palavras quer por atos, não levarão ninguém a duvidar em relação à distinta personalidade de Deus, ou em relação ao santuário e seu ministério.

Todos precisamos conservar em mente o assunto do santuário. Deus nos livre de que o estardalhaço de palavras vindas de lábios humanos debilitem a crença de nosso povo na verdade de que existe um santuário no Céu, e que um santuário segundo este modelo foi uma vez construído na Terra. Deus deseja que Seu povo se familiarize com este modelo, tendo sempre em sua mente o santuário celestial, onde Deus é tudo em todos. Devemos ter nossa mente ancorada pela oração e o estudo da Palavra de Deus, para que possamos agarrar essas verdades. Carta 233, 1904.

Pontos Sustentados Apenas Pelo Uso Errado das Escrituras

Escrevendo particularmente a respeito do trabalho do “Pastor G” em minar a confiança na verdade do santuário, Ellen White pôs em destaque em 1905 o maléfico uso que ele fazia da evidência escriturística e da certeza de nossa compreensão da verdade do santuário. Eis o que ela disse:

Tenho estado a suplicar ao Senhor força e sabedoria para reproduzir os escritos das testemunhas que foram confirmadas na fé e na primitiva história da mensagem. Após a passagem do tempo em 1844, eles receberam a luz e andaram na luz, e quando os homens que pretendiam possuir novo esclarecimento vinham com suas maravilhosas mensagens acerca de vários pontos da Escritura, tínhamos, pela atuação do Espírito Santo, testemunhos bem definidos, que excluíam a influência de mensagens como as que o Pastor G tem devotado o tempo a apresentar. Esse pobre homem tem estado a trabalhar decididamente contra a verdade confirmada pelo Espírito Santo.

Quando o poder de Deus testifica daquilo que é a verdade, essa verdade deve permanecer para sempre como a verdade. Não devem ser agasalhadas quaisquer suposições posteriores contrárias ao esclarecimento que Deus proporcionou. Surgirão homens com interpretações das Escrituras que para eles são verdade, mas que não o são. Deu-nos Deus a verdade para este tempo como um fundamento para nossa fé. Ele próprio nos ensinou o que é a verdade. Aparecerá um, e ainda outro, com nova iluminação, que contradiz aquela que foi dada por Deus sob a demonstração de Seu Santo Espírito. Vivem ainda alguns que passaram pela experiência obtida quando esta verdade foi firmada. Deus lhes tem benignamente poupado a vida para repetir e repetir até ao fim da existência a experiência por que passaram da mesma maneira que o fez o apóstolo João até ao termo de sua vida. E os porta-bandeiras que tombaram na morte devem falar mediante a reimpressão de seus escritos. Estou instruída de que, assim, sua voz se deve fazer ouvir. Eles devem dar seu testemunho relativamente ao que constitui a verdade para este tempo.

Não devemos receber as palavras dos que vêm com uma mensagem em contradição com os pontos especiais de nossa fé. Eles reúnem uma porção de passagens, e amontoam-na como prova em torno das teorias que afirmam. Isto tem sido repetidamente feito durante os cinqüenta anos passados. E se bem que as Escrituras sejam a Palavra de Deus, e devam ser respeitadas, sua aplicação, uma vez que mova uma coluna do fundamento sustentado por Deus estes cinqüenta anos, constitui grande erro. Aquele que faz tal aplicação ignora a maravilhosa demonstração do Espírito Santo que deu poder e força às mensagens passadas, vindas ao povo de Deus.

As provas do Pastor G não são de confiar. Caso sejam recebidas, destruirão a fé do povo de Deus na verdade que fez de nós o que somos.

Importa que sejamos decididos quanto a esse assunto; pois os pontos que ele tem estado procurando provar pelas Escrituras não são seguros. Não provam que a experiência passada do povo de Deus fosse enganosa. Tínhamos a verdade; éramos dirigidos pelos anjos de Deus. Foi sob a direção do Espírito Santo que a apresentação do assunto do santuário foi proporcionada. É eloqüência da parte de cada um manter-se em silêncio a respeito dos aspectos de nossa fé em que não desempenhou qualquer parte. Deus nunca Se contradiz. São mal aplicadas provas bíblicas, uma vez que sejam forçadas para testificar daquilo que não é verdadeiro. Outros e mais outros se levantarão e introduzirão pseudo grande esclarecimento, e farão suas afirmações. Nós, porém, permanecemos com os velhos marcos. (I João 1:1-10.) Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 160-162.

Afirmada a Real Existência do Santuário Celestial

Repetidamente encontramos nos escritos de Ellen G. White afirmações sobre a realidade do santuário celestial, seu mobiliário, bem como seu ministério. Uma destas afirmações foi escrita na década de 1880, ao descrever ela a experiência dos crentes no advento após o desapontamento:

Como foi declarado, o santuário terrestre fora construído por Moisés, conforme o modelo a ele mostrado no monte. Era uma figura para o tempo então presente, no qual se ofereciam tanto dons como sacrifícios; seus dois lugares santos eram “figuras das coisas que estão no Céu” (Heb. 9:9 e 23); Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, é “ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem”. Heb. 8:2. Patriarcas e Profetas, pág. 356.

O santuário do Céu, no qual Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés foi uma cópia. …

O esplendor sem-par do tabernáculo terrestre refletia à vista humana as glórias do templo celestial em que Cristo, nosso Precursor, ministra por nós perante o trono de Deus. O Grande Conflito, pág. 414.

Assim como o santuário na Terra tinha dois compartimentos: o santo e o santíssimo, assim há dois lugares santos no santuário no Céu. E a arca contendo a lei de Deus, o altar de incenso e outros instrumentos de serviço encontrados no santuário terrestre têm seu equivalente no santuário lá do alto. Em santa visão permitiu-se que o apóstolo João entrasse no Céu, e ele contemplou ali o candelabro e o altar de incenso, e, quando se abriu o templo de Deus, ele contemplou também “a arca do Seu concerto”. Apoc. 11:19. Spirit of Prophecy, vol. 4, págs. 260 e 261.

Assim, os que estavam a estudar o assunto encontraram prova indiscutível da existência de um santuário no Céu. Moisés fez o santuário terrestre segundo o modelo que lhe foi mostrado. Paulo ensina que aquele modelo era o verdadeiro santuário que está no Céu. E João dá testemunho de que o viu no Céu. O Grande Conflito, pág. 415.

Antes ela havia escrito com ênfase sobre o mobiliário:

Foi-me também mostrado um santuário sobre a Terra, contendo dois compartimentos. Parecia-se com o do Céu, e foi-me dito que era uma figura do celestial. Os objetos do primeiro compartimento do santuário terrestre eram semelhantes aos do primeiro compartimento do celestial. O véu ergueu-se e eu olhei para o santo dos santos, e vi que a mobília era a mesma do lugar santíssimo do santuário celestial. Primeiros Escritos, págs. 252 e 253.

A Arca e a Lei no Santuário Celestial

Em diferentes ocasiões ela falou e escreveu sobre a arca no lugar santíssimo do santuário celestial. Uma dessas afirmações foi feita em um sermão pregado em Orebro, Suécia, em 1886.

Eu vos admoesto, não coloqueis vossa influência contra os mandamentos de Deus. A lei é tal como Jeová a escreveu no templo do Céu. O homem pode pisar sobre sua cópia aqui na Terra, mas o original está guardado na arca de Deus no Céu; e sobre a cobertura desta arca, logo abaixo da lei, está o propiciatório. Jesus permanece justo ali, perante a arca, para mediar em favor do homem. Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 1, pág. 1.109.
E em 1903 de novo ela escreveu sobre a real existência do santuário:

Muito eu poderia dizer sobre o santuário; a arca contém a lei de Deus; a cobertura da arca, que é o propiciatório; os anjos em ambas as extremidades da arca; e outras coisas relacionadas com o santuário celestial e com o grande dia da expiação. Eu poderia dizer muito sobre os mistérios do Céu, mas meus lábios estão fechados. Não tenho disposição para procurar descrevê-los. Carta 253, 1903.

Enganos dos Últimos Dias não Envolverão a Verdade Vital

É claro que nosso adversário, Satanás, procurará abalar a fé do povo de Deus na doutrina do Santuário nestes “últimos dias”. Ellen White escreveu:

O Salvador predisse que nos últimos dias apareceriam falsos profetas, e atrairiam os discípulos após si; e também que os que neste tempo de perigo permanecessem fiéis à verdade que está especificada no livro de Apocalipse, teriam de enfrentar erros doutrinários tão enganosos que, se possível, enganariam os próprios escolhidos.

Deus apreciaria que todo sentimento de fidelidade prevalecesse. Satanás pode habilmente disputar o jogo da vida com muitas pessoas, e ele age do modo mais disfarçado e enganador a fim de roubar a fé do povo de Deus e desencorajá-lo. … Ele opera hoje como operou no Céu – dividir o povo de Deus justo nesta última fase da história da Terra. Procura criar dissensões e despertar contenda e discussões, e remover, se possível, os velhos marcos da verdade entregue ao povo de Deus. Ele procura fazer parecer como se o Senhor Se contradissesse a Si mesmo.

É quando Satanás aparece como anjo de luz que ele apanha as almas em seu laço, enganando-as. Homens que pretendem ter sido ensinados por Deus, adotarão teorias falsas, e em seu ensino adornarão essas teorias de modo a introduzirem enganos satânicos. Assim Satanás será apresentado como anjo de luz, e terá a oportunidade de mostrar suas agradáveis fábulas.

Esses falsos profetas terão de ser enfrentados. Eles farão esforço para enganar a muitos, levando-os a aceitar falsas teorias. Muitos textos bíblicos serão mal aplicados de tal modo que teorias enganadoras parecerão ser baseadas na palavra que Deus proferiu. A preciosa verdade será trabalhada de modo que fortaleça e confirme o erro. Esses falsos profetas, que pretendem ser ensinados por Deus, tomarão belos textos que foram dados para adornar a verdade, e os usarão como manto de justiça para cobrir teorias falsas e perigosas. E mesmo alguns dos que em tempos passados honraram ao Senhor, afastar-se-ão da verdade a ponto de advogar teorias extraviadoras referentes a muitos aspectos da verdade, inclusive a questão do santuário. Manuscrito 11, 1906 (destaque suprido).

Poucas semanas mais tarde ela acrescentou estas palavras sobre a importância de uma correta compreensão desta verdade:

Eu sei que a questão do santuário se firma em justiça e verdade, tal como a temos mantido por tantos anos. O inimigo é que desvia os espíritos para atalhos ao lado. Ele folga quando os que conhecem a verdade se absorvem em coligir textos escriturísticos para amontoar em torno de teorias errôneas, sem fundamento na verdade. As passagens bíblicas assim usadas, são mal-aplicadas; não foram dadas para confirmar o erro, mas para fortificar a verdade. Obreiros Evangélicos, pág. 303.

Com os Olhos Fixos no Santuário

Em tempo algum devemos perder de vista a importante obra que está sendo feita em nosso favor no santuário do Céu. Somos admoestados:

Como povo, devemos ser estudantes diligentes da profecia; não devemos sossegar sem que entendamos claramente o assunto do santuário, apresentado nas visões de Daniel e de João. Este assunto verte muita luz sobre nossa atitude e nossa obra atual, e dá-nos prova irrefutável de que Deus nos dirigiu em nossa experiência passada. Explica nosso desapontamento de 1844, mostrando-nos que o santuário a ser purificado não era a Terra, como supuséramos, mas que Cristo entrou então no lugar santíssimo do santuário celestial, e ali está realizando a obra final de Sua missão sacerdotal, em cumprimento das palavras do anjo, comunicadas ao profeta Daniel: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Dan. 8:14.

Nossa fé no tocante às mensagens do primeiro, segundo e terceiro anjos era correta. Os grandes marcos pelos quais passamos são inamovíveis. Conquanto as hostes do inferno intentem derrubá-los de seu fundamento, e exultar ao pensamento de que tiveram êxito, não atingirão o seu objetivo. Estes pilares da verdade permanecem tão firmes quanto os montes eternos, impassíveis ante todos os esforços combinados dos homens e de Satanás e suas hostes. Muito podemos aprender, e devemos estar constantemente pesquisando as Escrituras para ver se estas coisas são assim. Deve o povo de Deus ter agora os olhos fixos no santuário celestial, onde se está processando a ministração final de nosso grande Sumo Sacerdote na obra do juízo – e onde está intercedendo por Seu povo. Evangelismo, págs. 222 e 223.

Este Pequeno Livro

Com exceção de umas poucas notas de rodapé e as perguntas para estudo que se encontram no fim de cada capítulo, todo o material que se segue é exclusivamente da pena de Ellen G. White e consiste especialmente em capítulos extraídos de Patriarcas e Profetas e O Grande Conflito, com algum material mais de ligação, tirados de diferentes escritos já publicados de Ellen G. White. Em cada caso é indicada a fonte. Como muitos leitores terão à mão os livros de Ellen G. White, pareceu-nos desnecessário, em vista da desejável brevidade, incluir aqui porções de capítulos não imediatamente relevantes para o assunto: Cristo em Seu Santuário. Depositários do Patrimônio Literário de Ellen G. White.

Capítulo 01 do Livro Cristo em Seu Santuário de Ellen G White

Leia o próximo capítulo: Cristo no Sistema Sacrifical

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